Região Norte

Dentre as cinco regiões brasileiras, a Região Norte ocupa 45% do território nacional. Seus 3.853.327 km² compreendem sete estados: Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Roraima, Rondônia e Tocantins. A maioria da sua população vive, nos dias de hoje, nas cidades. Porém, existe uma pequena parcela da população distribuída próxima dos rios, a população ribeirinha, além das diversas tribos indígenas no interior da floresta. Com uma população pequena (quarta do país) distribuída na extensa área, tem a menor densidade demográfica, um verdadeiro vazio demográfico.



A extensa floresta, os diversos rios, riachos e igarapés, além dos animais selvagens e doenças transmitidas por mosquitos (malária e febre amarela), sempre foram, desde a chegada dos colonizadores, até os dias de hoje, obstáculos à ocupação da região, tornando uma aventura perigosa a quem se atreve entrar na mata sem conhecimento sobre a vida na floresta.

Mas os primeiros habitantes da região, como no resto do país, foram os indígenas. Os europeus quando aqui chegaram, no século 16, não encontraram uma vasta área intocada. Descobertas arqueológicas indicam que essa imensa área foi habitada por grupos de diferentes culturas, algumas muito sofisticadas, que estabeleceram relações comerciais entre si. Porém pela força das armas e pelas doenças essas antigas civilizações foram dizimadas.
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Por força do Tratado de Tordesilhas, no século 15 (1494), essa região pertencia aos espanhóis. E foram eles os primeiros a se embrenharem pela floresta e navegar pelos rios (Vicente Pizón, Gonzalo Pizarro, Francisco Orellana). No entanto, o relato da existência de tesouros na região atraiu aventureiros holandeses, ingleses, franceses e portugueses, alguns deles se fixando e fundando fortes e pequenos núcleos.

Com o Tratado de Madri (1750) as fronteiras são alteradas e a Coroa Portuguesa amplia sua influência. Onde não pode ocupar, apoia missões religiosas que estabelecem aldeamentos. Assim, os missionários também vão contribuir tanto para o aculturamento como para o extermínio de nativos, apesar de muitas aldeias terem dado início a cidades na região. A mão de obra indígena não é suficiente e começam a chegar à região os negros escravos.

Dois séculos se passam sob o domínio português. onde a atividade extrativista foi a tônica da economia utilizando a mão de obra indígena e de mestiços que viviam marginalizados. Chega a segunda metade do século 19 e o comércio da borracha deu novo rumo à história e à economia. As fortunas advindas com o Ciclo da Borracha, modelaram e enriqueceram cidades como Belém e Manaus e foi o impulso para o surgimento de outros centros urbanos, como Rio Branco e Porto Velho.
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Voltando para os aspectos geográficos, a região é conhecida como o Norte dos superlativos. Pois é lá que se encontram duas das grandezas brasileiras e também do mundo. A Floresta Amazônica e o Rio Amazonas.

A Floresta

As copas das árvores gigantescas (chegam a atingir 80 m de altura), muito próximas uma das outras, dão o aspecto uniforme àquele imenso tapete. Porém, as águas dos rios em seus trajetos serpiginosos dão um toque de descontinuidade que deixam a região com uma beleza ímpar.


A Floresta não é homogênea, na realidade é bem diversificada. Possui planícies ao longo dos rios, além de planaltos e montanhas como o Pico da Neblina, o de maior altitude do Brasil com 2.993 metros. Apesar de toda essa exuberância a região dispõe de poucos terrenos férteis. O solo, geralmente é pobre e a vegetação sobrevive às próprias custas. São os galhos e as folhas caídos ao chão, que depois de decompostos, junto com o que é proveniente da decomposição de animais que morreram, que formarão a camada de húmus (matéria orgânica formada pela ação de bactérias e microrganismo sobre os restos animais e vegetais), o responsável pelo enriquecimento e adubo.

Por milhares de anos a natureza formou a Floresta Amazônica e com uma rapidez tremenda, o ser humano está destruindo grandes áreas dessa floresta com a derrubada de árvores para a venda de madeira ou estabelecimento de pastos. É frequente encontrarmos as queimadas, onde colocam o fogo para finalizar a derrubada da mata nativa. Aos poucos, o solo fica mais pobre e as fortes chuvas podem levar ao desaparecimento da frágil camada fértil que é responsável pela vida vegetal.
                        

O Rio

Com muitos nomes e muitas lendas, da Cordilheira do Andes, no Peru, até a sua foz, na Ilha de Marajó, são aproximadamente 7.000 km. Assim o Amazonas é considerado o maior rio do mundo em extensão. E por ter a passagem de 200 mil m³ por segundo (1/5 de toda a massa de água doce da Terra) de suas águas nessa foz, também é considerado o maior em volume de água.


Depois de estreitos, altos e tortuosos caminhos pelas montanhas andinas, onde recebe diversos nomes e afluentes, o Amazonas chega na planície e se torna tão largo que em alguns trechos não se vê a outra margem. O desnível no Brasil é muito pequeno, menos de 90 m em 4.000 km. O que lhe permite ser totalmente navegável. Aí ganha a população ribeirinha, que não tem estada. Para seu deslocamento, o rio é a sua via de trânsito, mais fácil e mais rápida.


Viajando para a Amazônia

Para quem vai se deslocar para essa área, ter algum conhecimento sobre o clima vai permitir um deslocamento mais agradável. Geralmente o calor é intenso e chove com frequência. Porém existem variações  no índice pluviométrico que levam a 2 situações  distintas, com diferenças regionais: Seca (estiagem) de maio a outubro, quando o leito dos rios baixa e surgem as praias; e a cheia (inundação), de novembro a abril, quando os rios transbordam e invadem as florestas. Nas regiões mais ao norte da Amazônia, essa situação se inverte em relação às regiões mais ao sul. 

Ao sul da região ocorre o fenômeno conhecido pelos locais  como "friagem". Massas de ar frio que chegam da Antártica fazem cair a temperatura até 10º C nos meses de maio. E, a partir de julho, é a fumaça proveniente das  grandes queimadas nas áreas de desmatamento que invadem os céus, acarretando muitos problemas respiratórios.

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