França - As Origens



Ocupada pelas tribos celtas na antiguidade, conquistada pelos romanos, expandida pelos francos e comandada durante séculos por diversas dinastias, a região que hoje corresponde à França resultou de uma revolução que modificou o panorama mundial e cujos reflexos são presenciados até hoje.



Para entender um pouco da cultura, dos monumentos e até mesmo do traçado urbano de um lugar, muitas vezes é essencial se conhecer algo de sua história. Portanto, deixarei aqui umas pinceladas dos acontecimentos que fizeram a diferença no passado desse povo.


As Origens

Pinturas rupestres encontradas em cavernas de regiões francesas comprovam que a ocupação desse território se deu por volta de 35.000 a.C.
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Porém, só com a junção das diversas tribos nômades celtas para formar o reino da Gália em 1.200 a.C., que se deu início à formação da nacionalidade francesa.
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No entanto, as tropas romanas comandadas por Júlio Cesar invadiram e conquistaram a região na última metade do século I a.C. E assim a Gália foi romanizada pelos próximos 4 séculos.
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Com o colapso do Império Romano e os constantes ataques dos francos nas fronteiras, a região se tornou uma presa fácil para a conquista por estes últimos.
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Esse povo que deu nome à nação, fundou um reino que originou a dinastia dos merovíngios e governou até o século 8, com o rei Clóvis fazendo de Paris a sua capital. Convertido ao cristianismo, faz da Igreja sua grande aliada. Estendeu sua influência sobre outras províncias e cedeu terras a nobres que em troca lhe davam apoio militar.
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Segue-se a dinastia carolíngia, tendo como rei mais notável Carlos Magno, que ampliou os territórios da França e no ano de 800 foi coroado pelo papa imperador do Sacro Império Romano, conciliando os interesses da Igreja e da nobreza franca.
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Disputas entre seus herdeiros levaram à divisão do império e ao crescente poder de condes e bispos das províncias que, com a morte do último descendente da dinastia carolíngia, Luis V, acabaram por escolher um novo rei, Hugo Capeto, dando inicio a uma nova dinastia que reinará na França do ano de 987 até 1328.

Entre o séculos 9 e 12, surge uma nova ordem social, econômica e política, o Feudalismo, que favorece e fortalece a Igreja. São os tempos da cavalaria e consequentemente das Cruzadas.
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A partir do século 12 se inicia o processo de centralização, sob o comando de Felipe II. Forma-se um exército nacional que garante o poder do rei, além da cobrança de impostos em todo o reino por fiscais, que vão garantir a lei e a justiça real sobre a nobreza feudal.
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Luis IX (São Luis) e demais reis da dinastia, entre  eles Felipe IV, fortaleceram a centralização. Tendo esse último entrado em crise com a Igreja por conta da taxação de suas terras e interferência na escolha de um novo papa, que teve a sede transferida de Roma para Avignon (Cativeiro de Avignon- 70 anos submetidos à autoridade de reis franceses). Foi a época da Cisma do Ocidente, onde houve a divisão da autoridade da Igreja entre dois papas, um em Roma e outro em Avignon.
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Com a morte do último descendente homem de Felipe IV, Carlos IV em 1328 e sem descendentes varões, extingue-se a dinastia capetíngea, pois descendentes mulheres não herdavam a coroa, apesar de existir uma filha de Felipe que fora casada com Henrique II, rei da Inglaterra.

O rei inglês Eduardo III (neto de Felipe IV)  reivindica o trono francês, por descendência. A França não aceita ser governada pela Inglaterra e sobe ao trono Felipe de Valois.  Desencadeia um conflito dando origem à Guerra dos Cem Anos (1337-1453). Os tempos seguintes são de guerras, pobreza, peste e mortes. No entanto, ao final a Guerra, a França e a dinastia dos Valois, apoiada pela burguesia, acabam fortalecidas, apesar de muitas batalhas perdidas.
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Final do século 15, a França incorpora a maioria dos territórios entre os Pirineus e o Canal da Mancha. O crescimento da economia eleva a posição social de uma pequena parcela da população, surgem os grandes comerciantes e banqueiros (Burguesia), enquanto a nobreza começa a perder o seu poder econômico e social.
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O século 16 é rico de idéias e de pleno florescimento artístico, mas também da Reforma Protestante, que encontrou partidários entre a nobreza e o povo simples, portanto considerada uma ameaça à autoridade real. Tem-se início as guerras de religião (onde se misturaram motivos religiosos, políticos e dinásticos) que arrasam o país.

O final da dinastia dos Valois será marcado por disputas religiosas, envolvendo a burguesia (calvinista/protestante), a população e a nobreza (católica), O ponto alto foi a Noite de São Bartolomeu (1572) que terminou com o massacre de milhares de protestantes em Paris.
François Dubois - Noite de São Bartolomeu

Em seguida ocorre a Guerra dos "Três Henriques" (Henrique de Guise, católico; Henrique de Navarra, protestante e Henrique III) pela disputa do trono francês. Vitorioso, Henrique de Navarra se torna o novo rei, como Henrique IV e inaugura a dinastia dos  Burbons que se estenderá até 1792, com a prisão de Luis XVI. 
Jardins de Versalhes

Para assegurar a paz Henrique IV, convertido ao catolicismo, promulga o Edito de Nantes, que garantirá a liberdade de culto aos protestantes. Com a estabilidade interna, a França se torna uma potência européia. É o auge do Estado Absolutista. Surgem as figuras dos conselheiros reais que se sobressaem na política e finanças, é a época de Richelieu (com Luis XIII) e de Mazarino (Luis XIV).  
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Luis XIV, o Rei-Sol se tornou o soberano mais poderoso da Europa. Época de glória militar e econômica. Promove a expansão marítima e fundação de colônias. Exibindo toda a grandiosidade e seu poder, transfere a corte para Versalhes.
*** Casamento de Luis XIV

O impedimento da burguesia em ocupar cargos políticos, a revogação do Edito de Nantes. Os gastos com guerras frequentes, os privilégios do clero e da nobreza, são motivos que começam a marcar o declínio do poder francês.
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Em finais do século 18 a França era varrida por descontentamento e se inicia a crise e decadência com os reinados de Luis XV e Luis XVI. A insatisfação popular culmina com a Revolução Francesa em 1789.
Pintura de Jean-Pierre Houël “Tomada da Bastilha”

Com a queda da monarquia  se instala a Primeira República Francesa em 1792, que é derrubada por Napoleão Bonaparte em 1799, com o Golpe 18 do Brumário. A Era Napoleônica se estende até 1815, passando pelo Consulado, Império e Governo dos 100 Dias, quando finalmente é derrotado na Batalha de Waterloo.
Jacques-Louis DavidA coroação de Napoleão

Entre 1814 e 1815, a Dinastia Bourbon novamente  assume o poder com Luis XVIII, que é deposto e retorna com a saída definitiva de Napoleão do cenário político francês.  Seu sucessor, Carlos X tenta restaurar o absolutismo dos antigos reis, mas também é deposto com a revolução 1830, que coloca Luis Felipe no trono, até ser derrubado em 1948, quando se instala a Segunda República, sucedida pelo Segundo Império, com Luís Bonaparte (sobrinho de Napoleão) novo imperador, Napoleão III. Este governa até 1870, quando perde a Guerra Franco-Prussiana, na Batalha de Sedan. É o fim da monarquia na França.
***A Terceira República, de 1870 a 1940, sobreviveu à Primeira Guerra Mundial, mas não à Segunda, quando a França foi ocupada pela Alemanha nazista até 1944. Segue-se a Quarta República e uma rápida recuperação econômica, porém surgem os conflitos nas suas colônias que levou a uma crise governamental e o reaparecimento político de Charles de Gaulle(herói da Segunda Guerra) passou a ser aceito como o único que poderia por fim à instabilidade instaurada. Surge a Quinta República e 
ele assume a presidência, onde ficou até sua renúncia em 1969.
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Crises internas, intervenções militares externas, alternância de poder entre políticos conservadores e socialistas caracterizam as últimas décadas do século 20.  O século 21 se iniciou e o poder político da Quinta República longeva permanece. 

A França vanguardista, desenvolvida, tecnológica ocupa um papel central na História contemporânea mundial. Porém não está livre das atuais ondas de desemprego, imigração desenfreada que atinge nos últimos anos os países europeus e pelo flagelo atual do terrorismo internacional. Não é a toa que Paris, no final de 2015, sofreu seu pior atentado terrorista, deixando mais de 130 mortos espalhados por vários lugares da cidade..

Mas como uma exaltação à Paz e em defesa da tolerância, aqui deixo como último registro deste post, o show do U2 realizado em Paris, após esse triste episódio que marcou a História da França.





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*** Imagens de Domínio Público

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