Eu também vou pra Pasárgada, ela fica no Irã

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Apesar de nos dias atuais (2016) os olhares estejam bem mais benevolentes, ainda há quem se espante quando digo: Nas próximas férias vou para o Irã!
Confesso que não estava no topo da lista uma viagem para o país dos aiatolás. Mas a idéia surgiu quando eu e minha prima comentávamos que estava na hora de realizarmos a tão sonhada viagem pela Rota da Seda.





Não, o Irã não era o país do destino, apesar de algumas de suas cidades terem feito parte da rota de algumas caravanas. A nossa escolha recaía sobre o Uzbequistão.

Porém em tempos de “Estado Islâmico", guerra na Síria, atentados terroristas e a primeira vez pelo Oriente Médio, escolhemos um país que poderia nos trazer muito do que queremos conhecer sobre a cultura, arte e história milenar daquela área, aliada a uma relativa segurança. E um bom começo poderia ser a região que foi o berço de um dos mais desenvolvidos e poderosos povos da História, a Pérsia, hoje, Irã. Pois é, apesar de sermos bombardeados continuamente com notícias desfavoráveis, aquele é sim, um país relativamente seguro.

Mas o Irã também não é um país de terroristas? Afinal ele fazia parte do “Eixo do Mal” como dizia G. W Bush. É, muita água se passou por baixo dessa ponte: O Bush mentiu para invadir o Iraque, já não é mais o todo poderoso dos EUA, oito anos se passaram e até Obama, que o substituiu na presidência, está finalizando seu período de governo. 

Do lado de lá, o mal humorado, extremista e “ameaçador” presidente iraniano Ahmadinejad também já deixou o poder e foi sucedido pelo moderado e sorridente Hassan Rohani. Até parte das sanções econômicas internacionais contra o Irã foram suspensas, após o país ter cumprido o acordo Nuclear. Sopram ventos de mudança. Será?

A verdade é que não podemos afirmar que estamos completamente seguros nem do lado de cá - (atentados em Paris) - e nem do de lá. Portanto, após pesquisarmos bastante tanto em sites de brasileiros que visitaram ou mesmo viveram por algum tempo no Irã (veja aqui, aqui, aqui e aqui), como também termos obtido informações em bibliografias sobre o país, resolvemos que seria a hora e a vez de conhecermos a famosa hospitalidade persa. Afinal muita coisa pode mudar nos próximos anos.

Aí começamos a pesquisa voltada para nossa programação. Que locais visitar, que hábitos e costumes iremos encontrar, quais documentos exigidos, moeda utilizada, qual seria o melhor roteiro, os transportes a utilizar, iríamos com agências de viagens ou  por nossa própria conta e risco? Enfim, tudo o que seria importante saber antes de empreendermos tamanha aventura.

Sobre Pasárgada já falava o poeta recifense:

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada...

(Manuel Bandeira)


Sobre esse poema, o recifense conterrâneo comentou:
...“Vou-me embora pra Pasárgada” foi o poema de mais longa gestação em toda minha obra. Vi pela primeira vez esse nome de Pasárgada quando tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego.Estava certo de ter sido Xenofontes...
...Estrabão e Arriano, Autores que nunca li falam na famosa cidade fundada por Ciro, o Antigo, no local preciso em que vencera a  Astíages. Ficava a sueste de Persépolis.  Esse nome de Pasárgada, que significa campo dos persas ou tesouro dos persas, suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias. 
...Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, da mais aguda doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse grito estapafúrdio: “Vou-me embora pra Pasárgada!”.





Foto:
***Former US Embassy, Tehran *. [ Iran, WJ ] 


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