São Luís


Saint Louis foi assim chamada a futura capital do Maranhão. Como o nome indica, em 1612, ano da invasão francesa, o nobre Daniel de La Touche aportou na ilha dos índios tupinambás e tomou posse da nova terra batizando-a em homenagem a Luis 13, rei da França. Uma passagem efêmera, pois Portugal, três anos depois, retomou a terra esquecida. Invadida posteriormente pelos holandeses, que por lá permaneceram de 1641 a 1644, São Luís iria se tornar cada vez mais lusitana nos anos seguintes, apesar da influência marcante dos nativos e escravos na sua cultura.

Banhada a oeste pelas águas da baía de São Marcos, a leste pela baía de São José e a norte pelo Oceano Atlântico, da Ilha de São Luís também fazem parte três outros municípios (Raposa, Passo do Lumiar, São José do Ribamar), além da cidade de São Luís, capital maranhense.
A cidade tem 22 km de praias de água morna o tempo inteiro. Porém é um pouco turva devido  a mistura do mar com as águas barrentas dos grandes rios que por lá desaguam. 
Curioso também é observar o excepcional regime das marés. Em apenas uma hora a amplitude pode alcançar até 7 metros e o mar recuar até 1 km.
 Maré Alta


Maré Baixa

Mas visitar são Luís é transitar entre o presente, na parte nova da cidade onde se encontram os edifícios modernos, e o passado, o Centro Histórico, onde se pode encontrar um dos maiores acervos urbanístico e arquitetônico português no Brasil.

A minha opção foi ficar hospedada no Centro Histórico. Ali tive a oportunidade de ver de perto os casarões restaurados com azulejos expostos na fachada, as ruas e praças com iluminação que nos remetem à era colonial. É um importante conjunto arquitetônico dos séculos 18 e 19 que foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.
O azulejo é conhecido desde a antiguidade, porém o carater artístico foi introduzido pelos persas. Foram os árabes, durante seu período de dominação da Península Ibérica, que trouxeram os azulejos para embelezar seus palácios. Fascinados com esse estilo, os artesãos simplificaram a técnica de produção e adaptaram essa arte ao gosto ocidental. De Sevilha, na Espanha, o emprego do azulejo chega a Portugal no início do século 16. No século 17 chega ao Brasil e passa a ser empregado na parte externa  dos casarões, não só com o objetivo artístico, mas também para proteção, contra a umidade e calor da região.
A Rua Portugal é a que tem o maior conjunto com fachadas azulejadas do centro. Em toda a área são mais de mil casas restauradas, porém uma grande parte se encontra em ruínas ou necessitando de reparos.
Na Rua Trapiche,em frente à Praia Grande, encontra-se a Casa Maranhão, antiga sede da Alfândega (edificada em 1873). Ali próximo está o Mercado da Praia Grande, Casa da Tulha, como também é conhecido. O prédio é do século 19 e lá se pode encontrar produtos regionais.
A antiga Fortaleza de São Luís construída durante a fundação da cidade pelos franceses, deu lugar ao Palácio dos Leões, quando o lugar foi tomado pelos portugueses. Hoje, sede do governo estadual, tem salas abertas à visitação, onde se pode encontrar tapetes e lustres franceses, mobílias e quadros dos séculos 18 e 19. Ao lado fica o Palácio La Ravadiere, erguido no século 17 em homenagem ao fundador da cidade, Daniel de La Touche. Atualmente é a sede da prefeitura.
Além dos casarões coloniais, encontra-se no cento a Catedral da Sé. Construída por jesuítas (1699), porém com com várias reformas, a última de 1922, quando ganhou a fachada neoclássica. O forro pintado por João de Deus (1950) e o altar mor talhado em ouro.
Outra igreja que visitei foi a de Nossa Senhora do Carmo, erguida no início do século 17, serviu de abrigo durante a expulsão dos holandeses. Ali perto, outro lugar interessante é o Teatro Arthur Azevedo, inaugurado em 1817 com o nome de Teatro da União, foi rebatizado em 1920 com o nome atual em homenagem ao dramaturgo maranhense. Tem estilo neoclássico na platéia. Possui um belo lustre de cristal que é erguido quando as luzes se apagam. É um dos 14 Teatros Monumentos do Brasil.
Seguindo pela rua do Sol se chega ao casarão construído em 1836, onde funciona o Museu Histórico e Artístico do Maranhão. Nele se procura reconstituir os ambientes de residências maranhenses do século 19. No acervo há fotos móveis e arte sacra.
Como falei no início, fiquei hospedada em uma pousada em pleno Centro Histórico: Portas da Amazonia Foi uma experiência marcante, dormir sob um teto de uma casa construída em 1839, mas com o aconchego da decoração rústica e que preserva os ares de outra época. Recomendo.


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