São Paulo

Nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio...
Porque ou mudamos nós ou muda o rio..(Heráclito de Éfeso)
São Paulo, "Sampa" para os mais chegados, nunca se repete, sempre que a olho adquire um novo aspecto. Por vários motivos já estive aqui: para estudo, para congresso, para fazer cirurgia, para ir à médico, para fazer conexão de voo nacional ou internacional, etc. Nunca fui exclusivamente a passeio. No entanto, como viajante, não deixo de ver o que há de novo. E sempre há!                                                          Julho de 2011


São Paulo,  ao encontro das Artes

Dessa última vez, foi o momento de conferir como ficou o Teatro Municipal após quase três anos de reforma. Apesar de não existir mais vagas para a visita guiada, apelei para o fato de morar em outro estado e ser a única oportunidade naquela ocasião. Abriram uma exceção e lá estava eu bem antes do horário marcado para a visita, que teve o seu início pelo Museu localizado nos baixos do Viaduto do Chá, ao lado da praça Ramos de Azevedo.    



O Museu do Teatro, inaugurado em 1983, guarda, preserva e divulga o acervo das ações artísticas desenvolvidas. São livros, cartazes de espetáculos, objetos, adereços, figurinos e cenários. Além de arquivos audio-visuais e fotográficos. É a história do Teatro em exposição permanente, que já foi palco ao longo dos seus 100 anos para artistas como Margot Fontayn, Maria Callas, Caruso, Nijinsky, Nureyev, Ana Pavlova, Isadora Ducan, entre outros célebres do século 20/21. Lá, também  estiveram famosas companhias, como o Ballet de Moscou e a Ópera Nacional de Paris e, em 1922, viu surgir o movimento modernista brasileiro.    

Fotos são proibidas, foi logo a informação que nos deram. Uma pena, pois já no hall de entrada a majestosa escadaria de mármore nos brinda com sua magnífica beleza, enaltecida pelo luxuoso tapete vermelho. Vermelho também é agora a cor das poltronas, que substituiu o verde de antes. Ficou muito mais bonito e fez-me lembrar do Teatro Amazonas. No seu interior estão espalhados vitrais, mármores, cristais, colunas e mosaicos. Bustos de bronze, alegorias e pinturas que representam a música, a dança, o teatro e a ópera.          


                                                                          
Onde fica
Praça Ramos de Azevedo s/n


São Paulo para mim é sinônimo de encontro com a Arte. Sempre que lá estou, não deixo de ir à Pinacoteca, ao Museu da Língua Portuguesa e ao MASP.
De tijolos aparentes e projetado por Ramos de Azevedo, o majestoso prédio da Pinacoteca foi inaugurado em 1900. 



É delicioso vaguear pelo átrio do 2º andar observando as esculturas iluminadas com a luz que penetra pelas claraboias, entre elas algumas esculturas de A. Rodin, além dos inúmeros quadros de artistas brasileiros. O acervo permanente é grandioso, com obras dos séculos 19 e 20. Mas também há exposições temporárias.
No piso inferior está a cafeteria que abre suas portas para o aprazível Jardim da Luz.


Um lugar de Sampa onde o nosso idioma é a estrela maior, é o Museu da Língua Portuguesa. Inaugurado em 2006, neste mesmo ano o visitei pela primeira vez.
Localizado em um espaço da Estação da Luz, em frente a Pinacoteca, possui três pisos, ligados por elevadores que também são espaços expositivos, permitindo visualizar a "Árvore de Palavras", escultura com palavras dos diversos línguas que participaram da formação do português.

O primeiro piso é destinado às exposições temporárias, que podem ser em homenagem a escritores ou algum tema relacionado ao idioma. A primeira foi: Grande Sertão:Veredas. A amostra conduzia, de forma interativa e usando materiais simples, o visitante pelas veredas do sertão e pela obra de Guimarães Rosas. Outros que tiveram suas obras em destaque foram Clarice Linspector e Machado de Assis.

Chegando ao segundo piso há uma enorme painel áudio-visual que projeta imagens do cotidiano das pessoas de várias regiões, cujas gírias e neologismos participam da formação do nosso idioma. Alguns artistas aparecem lá. Essa tela, como parede de uma rampa, conduz-nos a um espaço onde totens mostram a influência de povos e outras línguas na formação do português. Uma linha do tempo, de forma interativa, conta a história da nossa Língua. Há ainda história da Estação da Luz, sobre o folclore das regiões brasileiras, as diferenças culturais e o "Mapa dos Falares", tudo interativo.

O terceiro piso, apesar de já ter ido três vezes, sempre sei que voltarei. O auditório projeta um filme de 10 minutos sobre as origens da Língua Portuguesa falada no Brasil (voz de Fernanda Montenegro). Em seguida, entramos na Praça da Língua, onde versos de escritores são decantados por personalidades, ao mesmo tempo que aparecem projetados nas paredes. A sensação é de estarmos olhando um céu, onde as estrelas são as palavras projetadas. Sensacional! 



Atualização (2016) Infelizmente um incêndio de grandes proporções destruiu o Museu da Língua Portuguesa em dezembro de 2015.


Uma verdadeira caixa suspensa por colunas é o MASP, esse vermelho edifício da Avenida Paulista projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi. É la que estão abrigadas mais de 8 mil obras brasileiras e estrangeiras, do estilo clássico ao moderno. Periodicamente, são criados temas para que o mais importante acervo da América Latina seja exposto por partes.

O Museu também apresenta exposições temporárias(setembro de 2012 recebeu a mostra Caravaggio e Seus Seguidores), espetáculos musicais e temporadas teatrais. Possui uma escola onde são ministrados cursos sobre História da Arte, uma Biblioteca e uma loja, que disponibiliza uma grande variedade de livros sobre artes, entre outros.
Onde fica:
Av. Paulista

Dois outros Museus que valem a pena conferir quando estiver em São Paulo: Museu de Arte Sacra e o Museu do Ipiranga.

Para ver mais sobre o que encontrei no panorama artístico de São Paulo aqui.

Agora, se você quiser ter uma ideia do que há nos rios e oceanos, uma dica é conhecer o Oceanário de São Paulo.


São Paulo, um encontro com sua História

Foi na Estação da Sé (metrô) que tomei conhecimento do Turismetro, um projeto onde você percorria pontos turísticos e históricos da cidade, acompanhado por guias que informavam sobre os lugares por onde íamos passando. Em determinado ponto você era surpreendido por intervenções artísticas de atores que, interpretando algum personagem, contavam de forma divertida alguma curiosidade local.

O único custo era um bilhete do metrô. Todos os roteiros disponíveis partiam da Estação Sé aos sábados e domingos e era necessário comparecer com antecedência (30' antes da saída dos grupos) para fazer a inscrição. Periodicamente  mudavam os destinos. Em 2012 fiz dois outros roteiros, porém, a partir de 2013 o programa foi suspenso temporariamente.


Em 2011 fiz o Roteiro do Teatro Municipal

Da Sé fomos de metro até a Estação Anhangabaú. E dali ao Largo da Memória, onde se encontra o Obelisco do Piques, primeiro monumento erguido na cidade em 1814, demarcando o local conhecido como "Piques" de onde partiam caminhos para fora de São Paulo, um ponto no qual os viajantes enchiam seus cantis com água potável. Há também um chafariz construído no início do século 20 e um pórtico com azulejos, exibindo uma cena do antigo largo.
Em seguida, chegamos em frente ao Teatro Municipal (na época o roteiro não contemplava a visita). Nos baixios da praça Ramos de Azevedo , o Museu do Teatro, onde fizemos uma visita(no meu caso, pela segunda vez). 

Descemos as escadarias da Praça Ramos de Azevedo, ao lado do Monumento Carlos Gomes e da Fonte dos SuspirosApesar da beleza do monumento, é impossível demorar muito tempo por ali, tamanha é a fedentina.
O destino seguinte foi o Viaduto do Chá, que tem esse nome por conta de nas proximidades ter existido uma extensa plantação de chá da índia. O primeiro viaduto da cidade foi construído em finais do século 19, com uma estrutura metálica feita na Alemanha. Em 1938 foi praticamente reconstruído, concretado e duplicado.

Do Viaduto se pode observar o Vale do Anhangabaú, uma extensa área com jardins e obras de arte, entre os dois principais viadutos do centro: do Chá e de Santa Ifigênia. No seu  subsolo corre o canalizado rio Anhangabaú. Há também um túnel por onde trafegam os veículos que atravessam o centro. O Vale divide a região em Centro Velho, onde fica a praça da Sé, e o Centro Novo, região da praça da República.
Ao final do Viaduto do Chá e em frente ao Palácio Anhangabaú (antigo Edifício Matarazzo), elegante prédio com fachada revestida em Mármore travertino italiano, atualmente sede da prefeitura, fomos surpreendidos pela intervenção artística de uma atriz representando uma gari que nos falou sobre curiosidades do local. No entorno, edifícios com a marcada arquitetura do centro paulistano.
Ali próximo, na Praça Patriarca, encontra-se a igreja mais antiga da cidade- Igreja de Santo Antônio. Apesar de se incerta a data da sua fundação, acredita-se que tenha sido no final do século 16.
Da Praça Patriarca, pela rua Líbero Badaró, chegamos ao Largo São Francisco, local onde existiu um convento do século 17, mas desde 1828 é ocupado pela Faculdade de Direito. O prédio atual, em estilo neocolonial, é de 1934. Ilustres nomes de escritores (Monteiro Lobato, Rui Barbosa e José de Alencar) a presidente da República (Washington Luís) estudaram ali. 

Ao lado da faculdade está a Igreja de São Francisco que foi inaugurada em 1647, construída em taipa de pilão e com paredes de 1,5 metros de largura, sofreu reformas no século 18, adquirindo características barrocas. Tem o interior simples, mas a imagem de São Francisco é considerada a mais bela de um convento franciscano no país.
Onde: Largo São Francisco, 133
Quando: diariamente, das 7:30 às 20 h
Quanto:Entrada franca


Dali seguimos em direção à Igreja da Sé, onde o roteiro foi finalizado.

Em 2012, aproveitei para fazer o Roteiro Estação da Luz e o do Bairro da Liberdade.

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