Macapá

Já em fins do século 15, os reis da Espanha e Portugal, pelo Tratado de Tordesilhas, estabeleceram as linhas de expansão dos respectivos reinos fora da Península Ibérica. Assim estava criado o novo meridiano que dividia o mundo em duas partes. No Brasil essa linha imaginária passava nas proximidades de Belém(PA) e Laguna (SC). As terras para o oeste pertenceriam à Espanha e para o leste à Portugal. Conta-se que o navegador espanhol Francisco Orellana em meados de 1544, ao chegar onde hoje está localizada Macapá, teria nomeado o local com o Nueva Andaluzia. 
Desde então a região passou a ser frequentada por vários navegadores. O primeiro núcleo de colonização portuguesa teve início com um destacamento militar, nesta época a região pertencia à Província de Grão Pará e Maranhão. No final do século 17, ingleses e holandeses chegaram a invadir, mas foram expulsos pelos portugueses. No século seguinte foi a vez dos franceses reivindicarem a possessão da área, porém, em 1713, o Tratado de Utrecht estabeleceu as fronteiras entre o Brasil e a Guiana Francesa. Em virtude do não cumprimento desse tratado por parte dos franceses, os portugueses construíram uma fortaleza para proteger esses limites, o Forte São José de Macapá.

Para iniciar a povoação, o rei de Portugal enviou algumas famílias da ilha de Açores e presos políticos. Para lá também foram negros africanos, além dos índios que já se encontravam no local. Chega o século 19, a descoberta de ouro na área e o Ciclo da Borracha, estimula o desenvolvimento da região e desencadeou, novamente, a disputa territorial. Em 1895 ocorre uma invasão francesa. Mas, em 1900 a Comissão de Arbitragem, em Genebra, deu possessão da região ao Brasil e o território foi incorporado ao estado de Pará, sob o nome de Amapá.
Em 1943 foi criado o território do Amapá e em 1945, a descoberta de grandes jazidas de manganês em Serra do Navio abalou a economia local. Houve novas divisões territoriais e apenas em 1988 o território do Amapá se tornou um estado através da Constituição.

O que vi na capital do Amapá, Macapá
  • Marco Zero

A capital do Amapá é dividida. A linha imaginária do Equador que separa os hemisférios norte e sul corta a cidade.  Há um monumento que foi construído de forma a projetar sua sombra sobre a linha durante o Equinócio, fenômeno natural que ocorre quando os dois hemisférios se posicionam igualmente em relação ao sol e o dia e a noite têm a mesma duração. Em setembro (dia 22/23) ocorre o Equinócio de Primavera, no hemisfério sul e Equinócio de Outono, no norte. Em março, ocorre o inverso.
Estando lá  não se resiste em colocar um pé de cada lado para a famosa foto.  Próximo está o estádio de futebol Zerão, cuja linha de meio de campo coincide com a do Equador. Ainda faz parte do Parque do Meio do Mundo, a Escola Sambódromo de Artes Populares.
Onde fica: Avenida Juscelino Kubitschek, km 2
Visitação: 7:30 às 21 h



  • Orla do Rio Amazonas e o Complexo Beira Rio
O maior Rio do mundo banha a capital do Amapá, que está próxima a sua foz. Na extensa orla do Complexo Beira Rio se pode contemplar a grandeza do Amazonas. São 3 km de uma área de lazer, com restaurantes, bares, pista de ciclismo, área para a prática de esportes, parque infantil e sorveteria de onde começam os 386 metros de concreto  armado do Trapiche Eliezer Levy. Há um bondinho elétrico que faz o percurso do trapiche (estava quebrado, na ocasião). Complementam o Complexo a Casa do Artesão e a Fortaleza.

De frente para o Rio,  a imagem de São José,  padroeiro da cidade abençoando as grandes e pequenas embarcações que navegam pelo Amazonas. Ao fundo já aparece a vegetação do lado oeste da Ilha de Marajó (PA).
O passeio a pé pela orla é muito bonito, principalmente ao final da tarde, onde você presencia um lindo por do sol com os seus últimos raios iluminando os praticantes de kitesurf.


  • Fortaleza São José de Macapá 
Marco inaugural, foi construída em fins de século 18 por índios e negros escravos  para guardar a entrada do Amazonas e assegurar a posse da região aos portugueses. Tem 127 mil m² de edificações internas e muralhas de 15 metros de altura. No interior da fortaleza há a praça principal. Ao redor dela estão dispostas a capela, celas, casas militares e, nos extremos, as torres de vigia.

  • O Círio de Nazaré
Há mais de 200 anos, no segundo domingo do mês de outubro,  Belém do Pará  promove homenagens a Nossa Senhora de Nazaré, tendo como principal evento a procissão do Círio que arrasta multidões pelas ruas da cidade. 
Essa tradição religiosa também acontece em Macapá. Não tem a mesma magnitude dos festejos no Pará, mas mobiliza uma grande parcela da população que, em um ato de fé, caminha pelas ruas da cidade acompanhando a imagem da santa até a igreja matriz, sob o calor de um sol inclemente. 
Várias crianças vestidas de anjos e adultos carregando sobre a cabeça imagens da santa ou casas em miniatura feitas de isopor ou miriti, como forma de agradecimento por uma graça alcançada.
Após a procissão, a igreja ficou lotada de fiéis que queriam chegar próximo à santa. Na praça em frente a igreja, um comércio informal, com venda de água, sanduíches, churrasquinho, pipoca, chapéus, brinquedos, fitinhas da fé, etc.



Viajando para o Amapá

Para chegar ao Amapá existem  apenas 2 opções.
  • Barco/navio: através do Rio Amazonas, geralmente partindo de Belém(PA). Gastam-se 24 horas.
  • Avião: Neste caso você terá que ir para Belém e fazer uma escala ou conexão para chegar à Macapá. O voo é rápido, cerca de 45 a 50 minutos.
Como eu estava no sul do Amazonas, para mim não foi simples, já que dependeria de vários trajetos aéreos até lá. Dessa forma entre viagem e espera em aeroportos, foram 24 horas no total!! A volta também não foi nada fácil: final de um feriadão e de um grande evento religioso na região do Pará e Amapá, o Círio de Nazaré. Essa epopeia eu conto aqui.


Algumas dicas de viagem pelo Estado do Amapá

Dispondo de tempo e uma certa dose de paciência e espírito de aventura, há alguns lugares no Estado onde você pode ir, aqui destaco 3:


O município é o ponto mais ao norte do Brasil e fronteira com a Guiana Francesa. Está ligado à capital pela BR-156, grande parte sem asfalto. Há a possibilidade de atravessar o rio Oiapoque e chegar  àquele pedaço de território francês na América do Sul. Está sendo finalizada uma ponte ligando o Brasil à Guiana Francesa.

  • Serra do Navio

Se quiser mais um pouquinho de aventura, você embarca no trem que sai de Santana, vizinha a Macapá, e te leva numa viagem de 6 horas pela floresta até Serra do Navio, cidade fundada em 1930 e que prosperou por um tempo devido à extração de manganês.  Foi uma cidade modelo para os padrões da época, em plena floresta, construída pela empresa norte americana que explorou o minério. Atualmente as construções e minas estão em estado de abandono.

OBS.: Se quiser fazer essa viagem ligue antes para a estação ferroviária (96/3281-2471) e se certifique de dias e horários. Apesar de nem sempre você encontrar funcionários que te deem uma informação muito precisa.

  • Pororoca, a onda amazônica

A invasão das águas do mar na embocadura dos rios é um fenômeno que ocorre quando a maré começa a subir. No estuário do Amazonas e arredores essa elevação é extrema e provoca ondas gigantes, que chegam a atingir 4 metros (época de equinócios: março e setembro) e velocidade de 30 km/h. Por conta do estrondo que pode ser ouvido de longe, os índios associaram ao som "poroc-poroc", daí a origem do nome.
A mais violenta pororoca ocorre no rio Araguari e a partir de 1990, surfistas começaram a desafiar a onda amazônica.

Atualizando:
Em dezembro/2012, o programa "Caldeirão do Huck" levou atores da TV Globo para surfarem na pororoca

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