Palenque: o Reino de Pakal

Situada em meio a selva, no estado mexicano de Chiapas, esse centro representativo do povo maia pode ter se originado em 100 a.C. Porém seu apogeu decorreu entre os séculos 6 e 8 d. C., especialmente durante o longínquo reinado de Pakal, que durou mais de 60 anos, fato muito raro naquela época. Após o ano de 900 a cidade foi abandonada e a vegetação avançou sobre seus edifícios, deixando-a encoberta durante séculos.



Aqui como em outras zonas maias, ocorreu um grande desenvolvimento tanto na arquitetura civil e religiosa, quanto na escultura em pedra. São quase 500 edifícios espalhados por 15 km²(apesar de nem todos estarem escavados) em meio à selva Lacandona.  E o que impressiona é que tudo aquilo foi construído sem a ajuda de instrumentos de metal, apenas utilizando pedras, ossos e pedaços de madeira como ferramenta.


As Ruínas de Palenque estão localizadas em meio às selvas de Chiapas que são cortadas por rios, entre eles o Usumacinta, por onde eu iria chegar à Guatemala (veja aqui). A temperatura média fica em torno de 27º C., com chuvas frequentes e naquele dia não foi diferente. Ao desembarcar da velha van (coletivo) mais propícia a ocupar uma vaga num ferro velho, caia uma chuva fina, que se tornou um grande pé d'água ao final da minha visita. Ainda bem que "São Pedro" fez uma trégua durante meu passeio, que foi devidamente acompanhado por um simpático guia oficial, com quem negociei o tour pelas principais atrações, isto é  o Grupo Principal.


Os primeiros três templos estão à direita da trilha, em meio a floresta:Templo da Caveira(Cavalera), Templo XIII, onde se encontra a tumba de uma rainha(Tumba de la Reina Roja) e o Templo das Inscrições. Do lado oposto está a tumba de Alberto Ruz.


Subi as escadas do Templo XIII para ter acesso à Tumba  e sarcófago da Rainha Vermelha, que teve seus restos mortais encontrados em 1994. Estavam avermelhados(uso de sulfato de mercúrio), daí esse nome. Especula-se que se tratava da esposa de Pakal.


O primeiro rei de Palenque subiu ao trono no século 5 e deu início a uma dinastia de 19 soberanos que terminou no início do século 9, quando a cidade foi abandonada. Mas o rei que ficou famoso foi Pakal, governante entre 615 e 683, período em que mandou construir templos, palácios e o seu mausoléu, o Templo das Inscrições. O mais alto e imponente do lugar.



A estrutura, com nove níveis, possui uma escadaria frontal de 25 metros de altura até o topo, onde existe pequenas salas. Em uma delas há três placas de pedra com inscrições (617 hieroglifos) contando a história de Palenque, do próprio templo, do reinado e renascimento do rei como o deus Milho. A tumba funerária de Pakal está no interior e foi descoberta em 1952 pelo arqueólogo Alberto Ruz Lhuillier. Não é permitida a visita, mas uma réplica da tumba, os objetos e joias encontrados estão no Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México.

Em seguida passamos ao Grupo das Cruzes. Os três templos principais foram construídos por Kan B'alam, filho e sucessor de Pakal. A tríade funcionavam como centro espiritual. Têm esse nome por conta dos entalhes de "cruz".  O Templo do Sol, que tem os entalhes comemorando o nascimento(635 d.C.) e a coroação de Kan B'alam. O Templo da Cruz e o Templo da Cruz Foliada.

Templo do Sol

Templo da Cruz


Templo da Cruz Foliada



Dali subimos as escadarias  do Palacio para uma visita ao seu interior. O complexo está situado sobre uma plataforma de 10 metros de altura e compreende vários aposentos, corredores e pátios. Acredita-se que tenha sido a moradia dos governantes e foi construído ao longo de 4 séculos. A torre de quatro andares teria a função de um observatório. Construída no século 8, hoje estão evidentes as marcas da restauração.


Recintos internos e detalhes decorativo nas paredes de pedra.
O Pátio dos Escravos(Patio de los Cautivos) contém esculturas em relevo. Acredita-se que representam governantes aprisionados. Nas paredes ainda se pode ver resquício de pinturas e estuques.
Há uma ala que é considerada como uma sala de banho. Com estruturas para banho a vapor e uma espécie de privada(buracos no piso). Há em algumas paredes, aberturas em forma de "T", que serviriam para a ventilação.
Já sem o guia e cerca de duas horas após ter entrado no Parque, segui ao norte do Palácio onde estão o Campo do Jogo de Pelota, as construções do Grupo Norte e o Templo do Conde, onde viveu o Conde Waldeck, no século 19.


Em seguida dei um passeio em direção ao Baño de la Reina, um queda d'água formada pelo arroio Otolum. Desce vários degraus e bem íngreme.


Serviço
Quando: De 2ª à dom. Das 08 às 17:00 horas.
Quanto: Parque Nacional de Palenque(30 pesos mexicanos)
               Ruínas(65 pesos mexicanos)
               Guia exclusivo(400 pesos mexicanos)


Para chegar às Ruínas:
Utilizei os serviços de coletivos, tanto na ida quanto na volta. Mas se pode ir de taxi ou contratar um tour em alguma das várias agências que existem na cidade.
Quanto: 40 pesos mexicanos(ida e volta)

Estacionamento




Como cheguei em Palenque
O Estado de Chiapas é um dos mais enigmáticos lugares do México, reúne paisagem exuberante e riquíssima cultura indígena. É também o berço do Exército Zapatista de Libertação Nacional, cuja principal bandeira é a luta contra a globalização e pela melhoria das condições de vida da população nativa e foi responsável por um movimento guerrilheiro que até hoje está presente naquela área. Por isso sempre é um momento de tensão quando se chega a esse território. A fiscalização aumenta e dessa vez não foi diferente. Em três ocasiões o ônibus que nos levava de  Mérida para Palenque foi parado para que guardas ou militares subissem e fizessem a vistoria. Sem atropelos, seguimos em frente para completar as quase 9 horas de viagem.

Cheguei no terminal rodoviário de Palenque a bordo do ônibus, razoavelmente confortável, da A.D.O. Era final de tarde e dali, em um taxi, fui direto para o hotel localizado na praça central da pequena cidade sem graça. O único motivo de se ir para lá são as ruínas que ficam a poucos quilômetros.



Sites úteis
Mapa(oficial)
Palenque(oficial)

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