Salar de Uyuni


O maior deserto de sal do mundo fica lá, na Bolívia, cerca de 30 km de Uyuni e 3.600 metros de altura. Ocupando uma área de 10 mil quilômetros quadrados. O Salar se formou pela evaporação de um grande lago salgado há milhares de anos, resultando nessa extensa e espessa crosta de sal. No período de inverno adquire formas hexagonais em virtude da contração da camada superior provocada pela seca, formando as rachaduras que vão dar o aspecto de enormes ladrilhos. 


No verão a paisagem é outra, as águas das chuvas formam uma película sobre o sal constituindo um verdadeiro espelho que ao refletir o céu dificulta delimitar a linha do horizonte.


Mas, além dos imensos depósitos de sal (cerca de 10 bilhões de toneladas, onde apenas 25 mil são extraindo anualmente), o Salar de Uyuni guarda o maior deposito de lítio do planeta, o que tem despertando o interesse dos fabricantes de baterias de lítio.



A pequenina Uyuni

Para quem vai percorrer essa região, a cidade de Uyuni é a base de apoio. Fundada em 1889 teve seu apogeu como ponto de encontro das ferrovias vindas do Chile e da Argentina. Hoje, não fosse o interesse pelas magníficas paisagens do Salar e da Reserva de Fauna Andina Eduardo Avaroa, a cidade estaria perto de ser um lugar fantasma, uma imagem distante de quando foi símbolo do progresso, portão de comunicação da Bolívia com o resto do mundo. No altiplano, a sua população é composta majoritariamente por indígenas.
O prédio da esquina é o hotel onde fiquei


Como Chegar em Uyuni

Avião: A partir de La Paz. Pela empresa Amaszonas.
Ônibus: de La Paz (13-15h), de Potosi (7-10h), de Oruro (9h) . 

          Partindo de La Paz:

  • A estrada que liga La Paz a Uyuni não está asfaltada por completo. Em época de chuva pode ficar intransitável. Se for de ônibus serão 9 horas de viagem, com as últimas 4h sacolejando em estrada de terra. Há ônibus simples, mais barato e o "turístico" um pouco mais confortável, porém mais caro.
  • Ônibus: La Paz - Uyuni
                        Todo-Turismo

Ônibus e trem
O melhor é ir de ônibus até Oruro (3 h) e de lá pegar o trem até Uyuni. Foi assim que fiz (veja aqui)

Atenção!   Fazer a reserva do trem com antecedência, pois é muito concorrido. Então, programe-se para chegar com tempo para pagar e retirar o bilhete, pois é dado um prazo determinado pelo sistema. Se não chegar na hora estipulada, perderá a reserva e correrá o grande risco de não conseguir mais vagas e ter dificuldades para chegar em Uyuni.

Os Trens (fca

  • Chegam e saem da avenida Ferroviária, no centro. Partem de Oruro para Villazon e vice-versa. 
  • Há 2 companhias com horários e serviços diferenciados, a Wara Wara e a Expreso del Sur. Optei pela última. Fiz a reserva do bilhete pela internet(só se pode reservar na executiva),paguei e retirei  na estação de Oruro horas antes de embarcar. 
  • O Expresso del Sur sai às 15:30h e permite apreciar a paisagem por um longo trecho. Chega em torno das 22:30h em Uyuni, de onde segue para Villazón.
  • Quando eu fui o site permitia fazer a reserva com 1 mês de antecedência.

De países que fazem fronteira

Da Argentina 
Atravessando a sua fronteira em La Quiaca e daí para Villazón, na Bolívia. Seguir de trem ou conseguir algum transporte alternativo.
Do Chile: 
Dizem que há um trem que liga Calama, no Chile, à Uyuni, porém não encontrei informações. O mais comum é ir em 4x4, tur organizado pelas agências, a partir de San Pedro de Atacama.





Onde ficar em Uyuni

Não existem muitas opções de hospedagem. Afinal, você estará ali só de passagem. Há quem chega na madrugada, compra o pacote e aguarda a partida para o Salar.

Kutimuy: pertence à agência Colque. É na verdade um Hostel. Básico, café sofrível. Fiquei em apartamento individual com banheiro, lençóis limpos. Mas, após determinada hora da noite fica sem energia e como a água depende de bomba, o banho, já era!
Av. Potosi/esquina com Calle Avaroa. 

Outros:
Hostal La Magia de Uyuni (Calle Colón, 432)
Toñito Hotel (Calle Ferroviaria, 60)

Quem leva ao Salar?

Escolhi fazer a travessia do Salar até São Pedro de Atacama pela Colque Tour, ainda em La Paz. Porém, em Uyuni há diversas agências, afinal a pequena cidade tem no turismo a principal atividade econômica, pois fica ao lado do Salar. 

Os  pacotes  são semelhantes e têm pouca variação de preço, com opções de 1 a 4 dias, além de algumas disponibilizarem a venda pela internet. Na época de alta temporada há o risco de você chegar a Uyuni e não ter  vaga para aquele dia, o que é desagradável, já que a cidade não possui atrativo algum. Daí ter vantagem providenciar com antecedência.

Outras agências: Cordillera Traveller ,  Ruta Verde


Atenção!

É comum o relato de problemas, independente da agência escolhida: atraso nas partidas, alimentação precária, motorista rude (que é o guia e cozinheiro), acomodação ruim e panes mecânicas no veículo. 

Com exceção do atraso na saída, carro desconfortável(4x4, sem aquecedor/ar) e a completa falta de estrutura do alojamento do último dia para enfrentar temperaturas abaixo de zero (sem aquecedor!), tudo ocorreu conforme o que foi proposto. Mas, há relato de descumprimento do que foi contratado por algumas agências. Fique atento!

Nos dois alojamentos tinha água aquecida para banho, sendo que no último era pago. Depois de um dia inteiro comendo poeira que entrava pelas frestas do carro, nada como um banho quentinho (apenas eu e o brasileiro do grupo enfrentou, os estrangeiros dormiram sem banho!)

Não é recomendável seguir para o Salar em carro próprio e, principalmente, sem um  motorista experiente naquele percurso. É um trajeto traiçoeiro, pois há locais onde a camada de gelo é fina e se corre o risco de atolar, quando não se conhece os trechos seguros. Além da possibilidade de se perder, já que não existe estrada ou trilhas demarcadas.


Indispensável!
 

  • Protetor solar e óculos escuros: o sol refletido na brancura do sal pode causar danos à visão e queimaduras na pele.
  • Roupas para o frio: corta vento e agasalhos para a noite. Ideal se vestir em "camadas", permitindo tirar e repor facilmente. À noite, a temperatura pode cair a - 15ºC. Então providencie um saco de dormir que aguente tamanha temperatura se for pernoitar no Salar, principalmente a 2º noite, onde você estará a +/- 4.000 m.s.n.m. Foi a pior noite que passei em minha vida. Apesar de ter alugado um saco de dormir na agência da Colque, fiquei  "cismada" em usar. Bem feito para mim! passei a noite sentindo "agulhadas" de frio em meus músculos.
  • Papel higiênico (vai precisar, pois não há nos alojamentos), lencinhos úmidos, água mineral, lanchinhos (não levei e nem precisei). A comida foi adequada em sabor, qualidade e quantidade, afinal quem vai para essa aventura sabe que enfrentará alguma adversidade.
  • Não esquecer de se informar sobre a temperatura média na época em que escolher para ir. No inverno é muito frio, afinal o Salar se situa a praticamente 4.000 m.s.n.m.

Três dias de viagem pelo Altiplano boliviano em um 4X4


  • Primeiro dia: Cemitério dos Trens, o Deserto de Sal e Ilha Pescado

A primeira parada ao sair de Uyuni foi no Cemitério de Trens, nos arredores do vilarejoAli estão várias locomotivas que foram utilizadas para transportar minérios até a costa do oceano Pacífico. Hoje estão abandonadas e oxidadas pelo tempo. 


Dali seguimos para Colchani, vilarejo que se dedica ao processamento do sal. Lá há barraquinhas de artesanato, lanchonete/mercadinho.


Continuamos a viagem para o Salar de Uyuni propriamente dito. Na hora do almoço pagamos uma taxa para usarmos o espaço de dentro do Hotel de Sal Playa Blanca, onde há um "Museu"  com obras feitas de sal. 


Cada agência tem seus roteiros, no entanto  as principais atrações são geralmente visitadas. 


Após o almoço fomos para Isla del Pescado ou Inca Wasi (casa inca, em quéchua)que tem como atração os cactos gigantes, alguns com mais de 10 metros de altura e ultrapassando centenas de anos. No topo da cansativa trilha, a paisagem nos dá a sensação de estarmos em outro planeta! 


No final do dia chegamos a Chuvica, onde pernoitamos no alojamento da Colque Tour.



  • Segundo dia:Lagunas coloridas e Deserto de Siloli

Após o café da manhã, passamos na pequena cidade de San Juan, mais precisamente num mercadinho/lanchonete, a caminho de  uma base para se ver a fumarola do Ollague(5.863 m), o único vulcão ativo da Bolívia. 


Continuamos em direção ao sul do Salar, o branco vai sendo substituído por areia dourada e montanhas coloridas. Seguimos em direção às lagunas. A primeira foi a Cañapa, seguida da Hedionda, onde almoçamos sob uma barraca.Todas as refeições era preparadas pelo motorista, que além de cozinheiro também era o guia.

Lagoa Cañapa

A Laguna Hedionda exala o gás sulfídrico, que além de inflamável deixa o ambiente com um odor desagradável. 
Laguna Hedionda


São centenas de flamingos que sobrevivem nesse meio hostil graças a adaptação aos alimentos que encontram no lago, como algas e microrganismos.









Após um breve descanso foi a vez de adentrarmos no Deserto de Siloli. O enxofre é responsável pelo efeito degradê com vários tons de marrom. Em altitudes superiores a 4 mil metros, coroado com um azul intenso do céu e um chão vermelho, as formações rochosas resultaram da ação da natureza, pois os ventos e as chuvas esculpiram a lava solidificada.              
                  

Arbol de Piedra com 7 metros de altura é a estrela. Em seguida ingressamos na Reserva Eduardo Avaroa, onde pagamos a taxa estipulada e nos dirigimos ao precário alojamento na área da Laguna Colorada.


Na extremidade do sudoeste da Bolívia, a Reserva de Fauna Andina Eduardo Avaroa é uma área de proteção ambiental com cerca de 7 mil km² e altitudes que variam de 4 a 6 mil metros. Uma região de lagos salgados, cujas águas tem seus tons variando do vermelho ao verde esmeralda. Fenômeno provocado pela presença de minerais e microrganismos.

 

A exuberante Laguna Colorada, cuja cor vermelha resulta da presença de uma alga adaptada as condições de alta salinidade da lagoa. Nas laterais, o bórax do sódio dá a forte cor branca que contrasta com o vermelho. Ali há um verdadeiro berçário de aves com três espécies de flamingos (chilena, James e andina).




  • Terceiro dia: Gêiser de La Mañana outras lagunas coloridas

Foi a pior noite/madrugada de toda a viagem. Frio extremo, além de termos que acordar muito cedo para seguir até o Gêiser Sol de Mañana.

Saímos ainda escuro em direção ao  local onde veríamos os gêiseres. Se alto já estávamos, subimos mais, até 4.900 m.s.n.m. Àquela altura eu estava com frio, dor de cabeça, no abdome e irritada(consequência da péssima noite mal dormida, ausência de café da manhã e por conta da altitude onde nos encontrávamos).

Desci do carro rapidamente para tirar essa foto e só! 


Sequimos direto para a Laguna Verde, cujo esmeralda de sua cor se deve aos sedimentos de cobre e arsênico.  A água é tóxica, mas a imagem do vulcão  Licancabur nela refletida é linda.


De lá chegamos a uma base da Colque Tour, próximo à Laguna Branca, onde tomamos um sofrível café da manhã. Chegava ao fim nossa viagem pelo sul da Bolívia. 


Dali a umas 2 horas estávamos atravessando a fronteira com o Chile. O motorista/guia da Colque nos levou até à imigração, onde se despediu. Fizemos os trâmites de saída  e a bordo de um ônibus chileno, agora com vários outros passageiros, entramos na rodovia que nos levou à San Pedro de Atacama.

Precária imigração boliviana


Conclusão

Serviços 

Primeiro dia

=> Alojamento da primeira noite limpo,razoavelmente confortável. Quarto coletivo para seis pessoas com um banheiro. Água quente e energia até às 22h.

=> Jantar e café da manhã incluídos, simples mas suficiente.



Segundo e Terceiro dias


=> Alojamento da segunda noite foi péssimo, camas ruins, não havia aquecimento. Banheiro coletivo, banho quente só se pagasse.

=> Almoço e janta incluídos simples mas justo. O café da manhã do terceiro dia foi péssimo.

Apesar da última noite e do desconforto da própria viagem, as paisagens em todo o trajeto são magníficas, valeu a pena! Porém, não é um passeio para quem faz questão de conforto, não gosta de dividir dormitórios/banheiros com desconhecidos e não está disponível para viajar longas horas em um 4 x 4 empoeirado e sem climatização.

A Bolívia possui atrações naturais singulares e me espantou o fato de não existir estrutura para explorar de forma sustentável esse tesouro ímpar que existe por lá. Não sei se o motivo é econômico e ainda não puderam,  ou se não sabem como se organizar para que aquela região seja um destino de ponta do turismo internacional. Ou se a intenção é  manter a rusticidade e precariedade do jeito que está,  o  que seria válido se o objetivo for dificultar um turismo desenfreado.

Comentários