Cidade do México



Pimenta, mariachis, aztecas, Frida, tequila, colorido e alegria  são alguns subjetivos que nos remetem à capital mexicana, uma das maiores cidades do mundo em tamanho e população. Não é tão verticalizada quanto outras megalópolis, mas bastante poluída e com um trânsito caótico. No entanto tem muita área verde e festa para celebrar os mortos. Mas a Cidade do México tem muito mais.









Zócalo,  o Coração da Cidade

"Quando vimos todas aquelas cidades e aldeias construídas em cima de águas, alguns dos nossos soldados perguntaram se estariam a sonhar" (Bernal Diaz ).

Esse foi o registro da impressão causada nos invasores espanhóis ao marcharem entre os vulcões Popocatéptl e Ixaccihautl e se depararem com o grande vale do México.


No Centro Histórico da capital mexicana surgiu, há mais de cinco séculos, sobre pequenas ilhas do Lago de Texcoco, a capital dos astecas. De todos os povos que por ali habitaram, foram eles (também conhecidos como mexicas) que, ao virem naquele local uma águia sobre um cacto devorando uma cobra, resolveram se fixar, e de tribo nômade formaram um poderoso império que dominou toda a região central do México atual.


Se foi ou não lenda, não se sabe, o fato é que ali foi construída a cidade-estado de Tenochtitlán. motivo de espanto para os espanhóis ao chegarem por lá em 1519. Mas essa admiração não foi suficiente para frear o ímpeto destruidor de Hernan Cortés e seu exército, que depois de arrasarem a cidade usaram a maioria das pedras em suas obras, aterraram o lago e construíram uma nova cidade sobre a antiga dos astecas. E assim foi surgindo a atual Cidade do México, que aos pouco aterrou o antigo lago.

A Plaza de la Constitución ou Zócalo, como é conhecida, é um grande quadrado pavimentado de 56 mil m², onde se destaca a enorme bandeira mexicana. Considerada uma das maiores praças do mundo é cercada pelo Palácio Nacional, a Catedral Metropolitana e outros prédios públicos. E ainda tem sob grande parte desses edifícios as antigas construções dos astecas. Por conta de todo esse conjunto foi declarada Patrimônio da Humanidade.




A Catedral Metropolitana é a maior igreja da América Latina passou quase três séculos para ser concluída (iniciada em meados do século 16), o que  resultou em vários estilos arquitetônicos. O seu maior tesouro artístico é o Altar de los Reyes, do século 18. Anexo está o Sagrário Metropolitano, com sua fachada barroca.

O Palácio Nacional, abriga o gabinete do presidente mexicano e é provável que tenha sido o local do palácio do imperador Montezuma. Mas o que atrai visitantes ali é a desesperada luta histórica mexicana, representada nos murais coloridos de Diego Rivera pintados entre 1929 e 1935.



Por muito tempo se acreditou que o Templo Mayor, o mais importante dos astecas, havia sido destruído pelos espanhóis, mas em 1978, durante a construção do metro, foi encontrado um disco de pedra de oito toneladas, com a imagem esculpida da deusa lunar Coyolxauhqui. O local foi escavado e hoje podem ser vistos vestígios de templos onde se arrancava o coração dos prisioneiros vivos, oferecidos em sacrifício ao deus sol.



Ao lado das ruínas, o Museu do Templo Mayor (site), aberto em1987, como consequência das escavações arqueológicas do sítio do Templo Mayor.



Querendo ter a melhor vista da Cidade do México, a dica é subir até o mirante da Torre Latino Americana que está em pleno Centro Histórico da cidade.  São 44 andares, 183 m de altura e foi concluída em 1956.


Ali próximo está o belo Palácio de Bellas Artes, com estrutura de aço, revestido de mármore e cúpulas recobertas de azulejos. Iniciado em 1905 e concluído em 1934, apresenta elementos neoclássicos, Art Nouveau e Art Déco. Guarda murais dos maiores artistas mexicanos do século 20, Diego Rivera(Homem, Senhor do Universo), David Alfaro Siqueiros (Nova Democracia) e Clemente Orozco (Catarse).



Quer continuar mergulhado no mundo pré-colombiano? a opção é fazer uma visita ao ótimo Museu Nacional de Antropologia(site), que reúne em um só lugar os tesouros e as informações das culturas que viveram na Mesoamérica. E já que está no Bosque Chapultepec, aproveite para um passeio nas alamedas arborizadas e visite  também o Castillo de Chapultepec, que foi palácio do imperador Maximiliano (é, o México teve um imperador no século 19), residência dos presidentes da república e hoje é o Museu Nacional de História. Na entrada do Bosque  há um monumento em homenagem aos cadetes que foram mortos ao defenderem o Castillo contra a invasão dos EUA - Monumento a Los Niños Heroes.
Para ligar o Bosque Chapultepec até o centro da cidade, foi construída uma avenida no século 19, como símbolo da riqueza colonial, era ladeada por belas mansões que hoje estão substituídas por edifícios modernos. O Paseo de La Reforma tem 12 km, uma elegante e arborizada alameda com vários monumentos ao longo de sua extensão, tendo o Anjo da Independência como o símbolo da cidade. É considerada uma das mais bonitas avenidas da América Latina.

Fora da região central da cidade você pode entrar no mundo colorido de Frida Kalo, em Coyoacan.
Na época que os astecas eram os donos do pedaço, Coyoacan era uma cidade às margens do Lago Texcoco e ligada à capital, Teotihuacan, por uma ponte e permaneceu como vilarejo rural até meados do século 20, quando foi absorvida pela capital mexicana, passando a ser um bairro. O lugar preserva muito da arquitetura colonial e se pode ver a Casa de Cortés, um prédio do século 16 em frente a Igreja de San Juan Batista, separada pela Plaza Hidalgo, onde se encontra um coreto.
A Igreja fazia parte do Mosteiro de San Juan Batista e no seu antigo átrio agora está o Jardim Centenário e um portal que era a passagem para o antigo mosteiro.
Por ser um lugar relativamente tranquilo, Coyoacan atraiu muitos intelectuais, figuras públicas nacionais e estrangeiras, além de artistas como Frida Kalo e Diego Rivera.  A antiga residência da artista plástica foi mantida da forma que se encontrava quando o casal famoso viveu por lá. A Casa Azul se transformou no Museu Frida Kalo( site).

Um pouco do que restou do lago Texcoco e dos canteiros semiflutuantes de flores e verduras pré-colombianos (chinampas) ainda pode se ver em Xochimilco (lugar dos campos de flores, em Nahuatl). Esta área ao sul da Cidade do México é uma das que mais preserva as tradições e cultura indígena e por conta disso, em 1987 foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.
Lá se pode passear nas coloridas trajineras(barcas floridas). Há barcas vendendo lanches típicos e outros objetos artesanais, como também levando mariachis. Nos finais de semana você encontra, além de turistas, muitas famílias que alugam as barcas, o que pode transformar um passeio agradável em um tormento, como aconteceu comigo. Ficamos mais de uma hora presos em um "engarrafamento de trajineras", sem que o nosso barqueiro pudesse se mover tão imprensados que estávamos por outras barcas.

Se gostar de comidas "exóticas" é a oportunidade de experimentar chapolins fritos, o nosso conhecido gafanhoto. É um passeio curioso, mas não indispensável.

Na Plaza de las Três Culturas é possível encontrar os três estilos arquitetônicos de diferentes épocas da história do México. O pré-hispânico com as ruínas do centro cerimonial Tlatelolco, o colonial com o Templo de Santiago, uma igreja franciscana construída em 1524 e reconstruída em 1609 e o estilo moderno da arquitetura atual.

Cerca de 50 km da cidade se encontra, a meu ver, uma das mais interessantes atrações do México, Teotihuacan. O complexo foi construído antes da era cristã. Estima-se que a cidade chegou a ter mais de 100 mil habitantes, teve seu auge nos primeiro quinhentos anos da nossa era e sucumbiu em torno de 650 d.C.


Essa é apenas uma amostra do que se pode encontrar na Cidade do México. E, claro, ficou para mim um gostinho de quero mais.

Uma opção para conhecer vários pontos da cidade é utilizando o Turibus , o ônibus turístico com 04 circuitos diferentes.

Sites úteis
Turiguide México
Museu-Palácio Bellas Artes

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