Viajando pelos Caminhos Andinos


Como sou apaixonada por história e arqueologia e o Peru é um prato cheio delas, foi difícil escolher o que ficaria de fora, já que também seguiria para a Bolívia e o Deserto do Atacama. cujo objetivo seria conhecer o que fosse possível do legado cultural e artístico dos "Filhos do Sol", os incas, e das outras civilizações pré-colombianas que habitaram esses três países. Mas essa viagem está longe de ser uma imersão completa na cultura desses países, que de tão ampla e complexa em apenas um mês seria impossível abranger.



A viagem pelo Peru, Bolívia e Deserto do  Atacama é a continuação do Projeto América do Sul, que tem como propósito conhecer ou revisitar os diversos países que fazem parte desse enorme continente. Nessa fase foi dado ênfase aos lugares que foram palco para as avançadas culturas que se desenvolveram na região antes da chegada dos espanhóis. Vale salientar que, por limitação de recursos e operacional, muito do que nos foi legado por esses povos ficará para uma outra oportunidade, em especial o norte do Peru.
  • Planejamento
Cerca de 6 meses antes da viagem iniciei uma pesquisa em livros, guias e sites na internet sobre os futuros destinos a serem percorridos. Vários livros foram acrescentados à pequena biblioteca, um bom suporte para iniciar o planejamento. Mas apesar de ter feito toda a programação/roteiro da viagem, recorri a algumas agências de turismo. Mesmo porque, em alguns casos, você só poderá chegar em determinados lugares se for dessa forma. Outra decisão diferente do que fiz na viagem à Patagônia foi em relação aos transportes utilizados, onde optei por meios de uso turístico, já que eram muitas as informações da pouca estrutura dos meios de transportes no Peru e na Bolívia.


1) Peru

Montei o roteiro de Cusco, arredores e Machu Picchu junto com a Interhabit (no Brasil). A viagem para Puno foi realizada pela Inkaexpress, reservada através da internet. Os passeios realizados em Puno foram contratados no próprio hotel assim que cheguei. O passeio para o Cânion del Colca foi comprado na Giardino Tours em Arequipa.  Os passeios em Nazca foram comprados no local e para Islas Ballestas e Reserva Paracas, comprei de um guia. 

2)Bolívia
Montei o roteiro, ainda no Brasil, com a Turisbus, que incluía o traslado hotel-rodoviária (Puno/Peru), a viagem para Copacabana (TourPeru), o passeio privado à Ilha do Sol(Copacabana),o city tour em Copacabana, o transporte Copacabana-La Paz e passeio a Tiwanaku, com traslados. A viagem ao Salar de Uyuni e deslocamento até San Pedro de Atacama foram reservados em La Paz e operados pela Colque Tour. O bilhete de trem para a viagem de Oruro a Uyuni foi reservado pela internet, no site da empresa(fca). O City Tour na capital boliviana ficou a cargo da  Bolivian Sun Travel, contratada no hotel Radisson.


3) Deserto do Atacama
Os passeios realizados foram comprados no próprio hotel. Mas San Pedro de Atacama vive do turismo e há diversas agências a escolher. Creio que não haja grandes diferenças com relação a preços.

Informações mais detalhadas sobre o planejamento veja aqui.

  • Documentos Necessários
Carteira de Identidade Nacional Civil em bom estado de conservação e com fotografia recente.O Passaporte pode ser utilizado. Para isso é necessário que tenha pelo menos 6 meses de validade a contar desde o início da viagem, como também folhas suficientes para os carimbos de entrada e saída dos países. Como sempre, prefiro viajar levando o passaporte e em algumas atrações é solicitado para ter acesso ou o número, para adquirir bilhetes. 

Não há a necessidade de visto para permanência de turista por menos de 90 dias. Informações detalhadas e atualizadas sobre a necessidade de vistos e documentos para todos os países do mundo podem ser obtidas no site do Ministério de Relações Exteriores http://www.mre.gov.br/

Cópias de Segurança dos Documentos
É importante levar cópias dos documentos, pois em caso de roubo ou extravio, junto com a ocorrência policial, poderão servir para comprovar a situação e regularizar sua condição no consulado ou embaixada mais próxima. É prudente levar em local diferente de onde os originais são levados. Geralmente digitalizo e arquivo em e-mail ou pendrive.

  • Vacinação
Na época do planejamento encontrei informações que diziam ser necessário o Certificado Internacional de Vacinação contra a Febre Amarela para entrar no Peru e na Bolívia. Providência essa que já havia tomado quando viajei para a região Norte brasileira. No entanto, em nenhum momento me foi solicitado. Mesmo assim recomendo que não embarque sem esse certificado ou se informe com antecedência se ainda há essa necessidade. Apesar de que é prudente ter o esquema de vacinas sempre atualizado.

A vacina contra febre amarela é válida por 10 anos e deve ser feita até 10 dias antes de embarcar. De posse do cartão de vacinação devidamente carimbado, deve-se dirigir a um setor da ANVISA, nos portos e Aeroportos, onde se adquire o Certificado Internacional de Vacinação.

A ANVISA disponibiliza no seu site informações sobre os locais onde são fornecidos este Certificado e no site da Organização Mundial da Saúde há informações atualizadas sobre os países que exigem essa vacinação.


  • Dinheiro
No Peru a moeda oficial é o Nuevo Sol ("soles" no plural). Na época 1 Real= 1,4 soles. Na Bolívia, o Boliviano. com 1 Real= 4.0 bolivianos.

Essa foi a viagem onde utilizei pela primeira vez o visa Travel Money(VTM). Um cartão "pré-pago" onde creditei, ainda no Brasil, dólares americanos. No Peru, na Bolívia e em San Pedro de Atacama fiz saques em moeda local nos caixas automáticos sem problemas. Utilizei cartão de crédito para a compra de alguns passeios e pagamento de hospedagens. Como sempre, levei alguns dólares em espécie, que troquei por moeda local, quando foi necessário.


  • Seguro de Viagem
Não é obrigatório, mas não viajo sem adquirir um. Recomendo.

  • Idioma
Oficialmente é o espanhol, no Peru. No entanto, nas regiões onde exite uma grande concentração de indígenas e mestiços também se fala quéchua. O aimará é utilizado por nativos na região de Puno. Estes dois últimos também são oficiais. O mesmo acontece na Bolívia. Apesar de existirem alguns dialetos que também são utilizados pelos nativos indígenas. No Chile, o espanhol é o oficial.

  • Deslocamentos
Utilizei vários meios de transporte nessa viagem como ônibus, motocar, trem, 4X4, lancha e avião. Maiores detalhes são encontrados aqui.

  • Hospedagens
Através da  Decolar.com ou Booking.com fiz as reservas de hotéis em Puno, Arequipa e Lima, no Peru e San Pedro de Atacama, no Chile. Cusco e Aguas Calientes (pela Interhabit), Paracas e Cânion del Colca (pela Giardino Tours). 

A reserva do Radisson, em La Paz, foi realizada através do site da Decolar. Pela Turisbus, reservei o Hotel Rosario del Lago. As hospedagens em Uyuni e no Salar foram reservadas e pagas na Colque Tours, em La Paz. O pagamento foi através de cartão de crédito e no ato da reserva, pela internet, nos dois primeiros.

Algumas observações sobre os hoteis (aqui)

O Roteiro (aqui)

Impressões


  • O Peru me surpreendeu pela sua diversidade, pelos costumes diferentes resultantes do encontro das culturas ibérica e nativa, que muito influencia a sua cada vez mais famosa e internacional gastronomia. Mas foi a cultura desse país, resultado de mais de cinco mil anos de história, que me encantou e deixou fascinada, à ponto de pretender retornar e conhecer um pouco mais, especialmente da sua capital, Lima, e da parte norte do país.
  • É bom saber antes de ir ao Peru(Veja aqui e aqui).


  • Confesso que fui à Bolívia com um certo receio por conta das poucas informações que temos de lá e não conhecia quem já tivesse ido, apenas relatos que lia na internet, nem todos positivos. Mas o país superou a minha expectativa. Muito rico em belezas naturais, apesar da infraestrutura ainda precária nas regiões mais afastadas da capital. São montanhas, vulcões, deserto propriamente dito e regiões secas com formações rochosas de formato peculiar, deserto de sal e lagoas coloridas, cânions e florestas tropicais.
  • É bom saber antes de ir à Bolívia(veja aqui e aqui).




  • Apesar da localização inóspita, São Pedro de Atacama tem uma boa infraestrutura turística. Há hospedagem para todos os bolsos, de campings e pousadas a hotéis repletos de mordomia. Diversas agências de viagens, lojas de artesanato, de cambio e restaurantes se distribuem nas poucas ruas do seu centro. Ali tudo se move em volta do turismo.
  • Permaneci quatro dias e se não tivesse com a passagem já comprada, teria antecipado minha saída para Arica. Talvez por conta do cansaço provocado pela altitude ou pela difícil e última noite passada na Bolívia, além da constante sensação de estar empoeirada quando caminhava pelas ruas, São Pedro de Atacama não me deixou saudades. Outros motivos que também contribuíram para desejar cair fora logo dali foram os preços elevados para os bens e serviços, já que se trata de um lugar extremamente turístico, além da pouca sutileza dos guias chilenos que, apesar de estarmos pagando e bem pelos seus serviços nos passeios, sempre se referiam ao ganho de “propinas”, isto é, às gorjetas. Fiz-me de desentendida e não dei nenhuma, afinal era o trabalho deles e não estavam o fazendo grátis. Gorjeta é uma gratificação que se dá de forma espontânea e não sugerida. A cidade não agradou, mas seus arredores são encantadores! 
  • Apesar do grande fluxo de dinheiro que movimenta o mercado de transporte na região do Atacama, as empresas de ônibus não estão nem um pouco preocupadas em oferecer o mínimo de conforto nos locais de espera para embarque. E foi numa área atrás do escritório da Tur Bus que aguardei, sentada em um banco de madeira e exposta a toda a poeira levantada pelos carros que passavam na rua, a hora de embarcar. No local, onde havia três ônibus, uma cena me chamou a atenção: um funcionário fazia a limpeza externa dos veículos jogando água de um balde que enchia numa pequena torneira, à medida que era esvaziado. A precariedade da situação me fez duvidar da qualidade do serviço que estava sendo executado. 
  • É bom saber antes de ir(veja aqui).






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