Torres del Paine


A 115 km de Puerto Natales nos deparamos com a mágica atmosfera dos distintos cenários em 242 mil hectares do Parque Torres  del Paine. A paisagem muda de acordo com a altitude e o clima. Em pouco espaço de tempo, podemos ver o brilho do sol, sentir a rajada dos ventos, tomarmos um banho de chuva ou presenciarmos a neve caindo para em seguida, o sol surgir novamente. É um verdadeiro espetáculo da natureza!





O Maciço Paine, com altitudes que variam de 50 a mais de 3 mil metros acima do mar, está entre os acidentes geográficos mais impressionantes do mundo. É uma cordilheira em forma de quadrilátero que surgiu há 12 milhões de anos, independente dos Andes Patagônicos.
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Originou-se da intrusão de rocha granítica por uma falha no vale de Magalhães, que empurrou as rochas sedimentares para cima. Com o tempo, a erosão foi esculpindo o maciço nas formas que se tem hoje. O granito claro está presente nas Torres e nas partes baixas dos Cuernos, enquanto a rocha sedimentária forma a porção marrom em cima dos Cuernos.
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As Torres del Paine, do lado leste, símbolo do parque, os escuros Cuernos del Paine (Chifres do Paine), a oeste, que se elevam sobre a paisagem lunar do Valle Francés, O Glaciar Gray e seu rio gelado, além de outros lagos e lagunas compõem o palco para guanacos, nhandus (emas), zorros (tipo de raposa), condores, flamingos e o puma, o grande predador da região.Bosques, estepe patagônica e deserto andino formam a diversidade vegetal gerada pelos diferentes micro-climas.



A área foi instituída como Parque Nacional em 1959 e em 1978, declarado Reserva Mundial da Biosfera.





Para conhecer Torres del Paine



O Parque possui trilhas em sua extensão e existem dois circuitos principais: O Circuito Completo "O" e o Circuito "W".

Os “trekkers” pernoitam no parque em refúgios estrategicamente dispostos ou, na grande maioria, em acampamentos que podem ser sem estrutura (gratuitos) ou com instalações básicas (pagos). Existem outras opções menos famosas de trekking no parque como também pousadas e hotéis mais luxuosos.


Para os que não querem programas radicais há a opção de ir de carro ou em circuitos turísticos de um dia para percorrerem várias atrações, não necessitando praticar atividades como montanhismo e trekking. Porém, o percurso fica limitado às proximidades das estradas, deixando de contemplar as trilhas cinematográficas.


Dois dias em Torres del Paine


O Refugio Paine Grande

    ...Havia três beliches e eu ocuparia a parte de cima de um deles. Quando fiz a reserva pela internet, optei por cama, mas não sabia que a opção “cama armada” era a única que disponibilizava os lençóis, travesseiro e coberta. Ainda bem que tinha me prevenido e levado o saco de dormir. 
    ...Bagagem guardada e fui ao restaurante. Apesar de ter escolhido pensão completa, só a partir da janta que passaria a ter direito às refeições. Assim me contentei com um reforçado lanche e saí em seguida para percorrer alguma trilha.




    • A primeira trilha em Torres del Paine: 1º dia
    ...No período do planejamento para essa viagem, o objetivo seria percorrer o “Circuito W” ou parte dele. O trajeto dessa trilha é parecido com essa letra, subindo três vales. O Valle Ascencio para chegar próximo a base das Torres, o Valle Francês que corresponde à perna do meio do W e a margem do Lago Grey até o glaciar de mesmo nome, a terceira perna.

     
    ...Apesar de ter lido alguns relatos subestimei o nível de dificuldade das trilhas. Afinal, quase todos estavam fazendo a trilha completa e dormindo em acampamentos. Eu, teoricamente, ganharia tempo e faria menos esforço, pois começaria o Circuito W pelo refúgio Paine Grande(meio do W), onde dormiria e teria praticamente dois dias para fazer a terceira perna e a perna do meio. No terceiro dia retornaria de catamarã até Pudeto e daí até Laguna Amarga, de onde pegaria um micro-ônibus para chegar ao Refúgio Las Torres, que também estava reservado, e no dia seguinte, faria a subida pelo Valle Ascencio.

    ...Quando sai de Recife, tinha plena consciência que meu condicionamento físico não me permitiria realizar o que a maioria faz quando se propõe a fazer trekking em Torres del Paine ou em El Chalten. A proposta era fazer o que pudesse e o tempo permitisse. Para isso era necessário conhecer o meu limite. E com certeza, eu iria reconhecê-lo no momento em que o atingisse. 

    Tinha mapas de todas as trilhas e procurei ler sobre elas no período do planejamento. Sempre há a quilometragem ou o tempo que normalmente se gasta para percorrê-las, o que é variável dependendo do condicionamento de cada pessoa. Mas, o que acontece é que ao olharmos o mapa a trilha nos parece fácil, já que indica uma distância que se está habituado a caminhar. No entanto, o mapa não mostra os “sobes e desces”, e um quilômetro pode se transformar em dois ou mais quando se tem que subir e descer uma encosta, mesmo que não seja muito íngreme, apesar de algumas delas serem, pelo menos do meu ponto de vista.
    Assim, na tarde do primeiro dia percorri, no meu ritmo e em meu tempo, parte da trilha que vai do Refúgio Paine Grande ao Acampamento Italiano, metade do caminho para se chegar ao Valle Frances. 

    Uma trilha que começa pela margem do Lago Pehoe e em seguida se chega a uma pequena elevação, de onde se pode ver o Lodge e a área de acampar em toda a sua extensão. 
    Continua ao lado do Lago Skottsberg, de águas de um azul profundo e passa por bosques floridos. É uma trilha considerada fácil. Porém, duas horas após, o tempo começa a fechar e minha prudência fala mais alto: hora de retornar! 
    Apesar de não conseguir o objetivo inicial, tive tempo suficiente de ter a minha frente a linda imagem do Cerro Paine Grande.
    ...De volta ao Refúgio, tomo um delicioso banho e na hora da “cena” encontro muitos mochileiros das diversas partes do mundo. A comida não foi lá essas coisas, mas em quantidade suficiente. Em seguida vou ao salão e por um bom tempo faço um “relax” mirando a soberba paisagem através da vidraça.
    ...Foi uma noite tranquila e tive como companhia de quarto um casal de espanhóis muito simpáticos, dois californianos e uma italiana. No refúgio a energia está disponível até as 24 horas. A partir daí, luz interior só se for de lanternas ou de velas. Mas, ninguém está ali para noitadas ou baladas. A noite é para dormir mesmo, pois o dia nos espera para desbravarmos as famosas trilhas do Torres del Paine.


    • Na trilha do Glaciar Gray: 2º dia
    ...Acordei cedo, tomei o desayuno e peguei o “lunch Box”, constituído por maça, suco de laranja (caixinha), um pacote de frutas secas e um enorme sanduíche. Saí com destino ao primeiro Mirador do Glaciar Gray. Já tinha decidido que não teria condições de percorrer toda a trilha e voltar no mesmo dia. Afinal seriam 11 km apenas de ida de uma trilha considerada de grau médio de dificuldade.


    ...Às 9 horas da manhã já me encontrava na trilha, debaixo de um céu azul e ensolarado. Inicialmente o caminho é plano, aos poucos vai ascendendo. Aparecem as primeiras lengas e logo após, pequeno bosque. O nome faz jus na “Quebrada de Los Vientos”, onde encontro árvores com seus troncos inclinados, efeito das fortes rajadas de ventos que podem chegar a 100 km/h. Preciso me firmar para não ser empurrada pela ventania forte.



    ...Continuo caminhando e o trânsito de mochileiros em ambos os sentidos, aumenta. À minha esquerda surge uma lagoa de águas azuis escuras: é a Laguna Los Patos. Mas adiante, outro bosque com uma maior densidade de árvores. Algumas flores silvestres e chego ao topo de uma pedra onde encontro a minha frente as águas verde-acinzentadas do Lago Gray. Hora de um pequeno descanso e aproveito para registrar os blocos de gelo (“témpanos”) que navegam ao vai-e-vem do vento.
    ...Alguns minutos após, retornei à trilha que passou a apresentar pedras e uma vegetação rasteira. O tempo começou a mudar, nuvens escuras e um fino chuvisco abriram a paisagem que vou ter a minha frente ao chegar ao primeiro ponto de onde avisto o Glaciar Gray.
    ...Não tenho palavras para descrever a imagem que se descortinava. Ao fundo uma enorme placa de gelo refletia os raios solares que teimavam em atingi-la, apesar das pesadas nuvens que ensombravam o céu e deixavam, naquele momento, o Lago com um tom azul escuro. Fazia muito frio e fiquei alguns instantes ali, contemplando o espetáculo. O relógio marcava 13 horas, 4 de caminhada e resolvo que esta é a imagem que ficará guardada do Glaciar Gray.

    ...Não segui em frente e escolhi aquele como meu ponto de limite para aquele dia. Sentei-me numa pedra e comecei a saborear o lanche que trazia. A volta foi mais rápida, apesar de mais duas paradas para descanso, até chegar ao refúgio.




    ...O resto do dia foi dedicado a pequenas caminhadas em frente ao Refúgio, onde pude fotografar a chegada do último catamarã do dia, o vai e vem de andarilhos e a tranqüilidade de um Guanaco pastando.

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