Trekking em El Chaltén


Conhecida mundialmente em virtude do turismo de aventura, El Chaltén é um ótimo lugar para trekking  escaladas e montains bikes. Para quem é adepto de caminhadas, o lugar dispõe de muitas opções.   São trilhas   que variam, geralmente, de moderada a difícil intensidade. Mas para quem não tem a disposição de um atleta, pode percorrer parte de alguma delas que já vai valer o esforço. As paisagens são magníficas. 






15/01/2009

... Ainda era cedo da tarde e após obter informações de como chegar ao início da trilha para a Laguna Torre, saí para o ar gelado de El Chalten.




...Da enorme variedade de trilhas com diversos graus de dificuldade, escolhi no primeiro dia ir até a Laguna Torre e no dia seguinte, dependendo das minhas condições, tentaria fazer parte da trilha que leva a base do Fitz Roy.





... Segui para a parte mais elevada da cidade e de lá peguei uma trilha, onde encontrei algumas crianças retornando. Aos poucos, o tempo foi mudando e já mais acima, caia uma chuva bem fina. Não demorou muito e o sol reapareceu. No sentido contrário ao meu trajeto, a minha esquerda, corria o Rio Fitz Roy com suas águas esverdeadas, morro abaixo. Ainda andei cerca de uma hora e meia. 





... Estava um tempo instável e por um bom tempo ninguém passou pela trilha. Naquele ritmo, percebi que não chegaria tão cedo à laguna Torre. Sem saber ao certo quantos quilômetros faltavam, resolvi retornar, mas as imagens da trilha ficaram devidamente registradas. Próximo ao início da trilha, encontrei algumas pessoas que estavam começando. Quanto a mim, tinha chegado ao meu limite naquele dia.

... Decisão acertada, pois somente dois dias depois, em uma nova tentativa, consegui chegar a Laguna Torre, foram 5 horas de uma longa caminhada. Ao chegar à cidade, dirigi-me a um restaurante e tomei um delicioso café com leite, acompanhado dos biscoitos que tinha comprado em Puerto Natales


15/01/2009  Ventos que me levam....


...Este era o dia reservado para fazer a trilha mais famosa de El Chaltén: ao Cerro Fitz Roy. Pelo menos alguma parte dela, já que se tratava de uma trilha de moderada a grande dificuldade, com elevação de 750 metros e cerca de 12 km, (somente ida) e meu condicionamento não permitia tanto.

...Mas, o que aconteceu foi a absoluta impossibilidade de qualquer pessoa se aventurar por aqueles caminhos. O dia amanheceu com chuva torrencial e ventos a uma velocidade que te levavam quando a favor dele e te obrigavam a fazer força para vencê-lo, quando em sentido contrário. Assim, nada de trekking, prudência é essencial!


...De volta à rua, entro em uma loja de souvenir esperando a chuva diminuir, porém acabo comprando alguns postais e alfajor. Do lado de fora, duas garotas falam sobre a dificuldade da trilha até o Fitz Roy. Aí decido: se der irei até a Laguna Capri, caso contrário, bye... bye“senderos”!

...Entrei numa loja de excursões somente para confirmar que com aquele tempo era impossível qualquer trekking e assim, poder-se-ia manter por mais dias.

...Voltei ao Hostel, estava todo mundo “entocado”, comendo, conversando ou jogando baralho. Fui para o quarto. Passei toda a tarde revendo os roteiros e arrumando a sacola. Muita coisa foi para o lixo: papéis que já não teriam mais serventia.

...À noite comi uma pizza preparada no próprio hostel, pois não me atrevi a voltar a sair com aquele tempo. Fui dormir esperando uma trégua do tempo, no dia seguinte.



16/01/2009     Finalmente, Laguna Torre


...O tempo é o que tem de mais instável em El Chaltén. No entanto, o sol resolveu me presentear com seus raios no meu último dia na cidade. Decidi que iria até a Laguna Capri, já que não teria condicionamento físico suficiente para chegar até a Laguna de Los Tres. Assim após o "desayuno", segui registrando a imagem da principal avenida da cidade.


...Ao final da San Martin, peguei um atalho seguindo um grupo de jovens de idioma desconhecido (alemães? Israelenses?). Apesar de não ser uma trilha muito íngreme, a subida inicial foi bem cansativa e me obrigou a parar várias vezes, o que aproveitei para fotografar a paisagem em torno. O cenário era deslumbrante, fazendo valer à pena o esforço. 


...Avistei uma árvore queimada e uma placa informando que ela era um Monumento ao Caminhante Distraído. Alguém tinha deixado cair alguma ponta de cigarro acesa que só não levou a piores conseqüências porque aquela árvore estava distante de outras. Pelo trajeto, encontrei diversas outras placas alertando para que não se fizesse fogo em momento algum.



...À medida que caminhava ia tendo a certeza de que a trilha em que estava no momento não me levaria a Laguna Capri, pois se tratava do principal acesso para a laguna Torre. Confirmação que obtive quando cheguei ao ponto de bifurcação e percebi que havia dois atalhos para se chegar até ali, um dos quais foi o que havia utilizado no primeiro dia. Assim, estava eu, novamente, na mesma direção do primeiro dia e dessa vez, venceria os 8,5 km de distância e os 250 m de elevação, mesmo que para isso tivesse que gastar as cinco horas que gastei e não as três que era o habitual.



...Uma hora e meia após o início da trilha, chegava ao mirador e me deslumbrei com a imagem que presenciava. Já tinha valido apena chegar até ali! Porém, a laguna Torre, formada pelo degelo da geleira de mesmo nome, era o ponto final. Assim, depois de uma pausa para as fotos e um breve descanso, continuei a caminhada.







...Uma hora após, encontrei um casal e duas senhoras fazendo um lanche num entroncamento, onde se podia chegar às Lagunas Madre e Hija e de lá, a Laguna de Los Tres e Fitz Roy. Aproveitei para tomar o suco de laranja delicioso e comer os biscoitos que trazia.


...Com muitas pessoas cruzei durante essa caminhada e tive a surpresa de ouvir alguém chamando o meu nome! Era Pato, o recepcionista do Hostel de El Calafate. 



...É muito comum a quem viaja para a Patagônia se deparar várias vezes com pessoas com quem você já encontrou antes. Afinal quem está por ali tem geralmente o mesmo objetivo: fazer trekking pela famosas trilhas.



...Atravessei um lindo bosque de lengas e tive o som das águas esverdeadas do Rio Fitz Roy ao bater nas pedras me acompanhando por um longo trecho.




...Quase cinco horas de trilha e cheguei ao Acampamento D’Agostini. Dali a 10 minutos, segundo informação de uma placa, estaria na Laguna Torre. Aproveitei um banco de madeira e descansei. A bateria da máquina tinha descarregado e não trazia uma reserva. Ainda me esperava um pequeno trecho de subida com muita pedra. Vencido este último obstáculo e eis a Laguna Torre!





...Muitos daqueles que por mim haviam passado, estavam agora descansando de frente para ela. Sentei-me e percebi que a imagem que tinha diante de meus olhos estava aquém das minhas expectativas. Não sei se por conta da exuberância do quadro que tinha presenciado do mirador e até mesmo do que já tinha visto até aqui, senti-me um pouco desapontada com o que via e nem mesmo me incomodou o fato de ter conseguido tirar, apenas, uma única foto, que refletiu o meu estado de ânimo e o pouco charme que emanava daquela paisagem.




...Gastei apenas três horas para chegar à cidade. Senti muito cansaço e dor nas pernas. Houve momentos em que achei que não fosse conseguir chegar. Não me preveni adequadamente com água, estava com muita sede e parei muitas vezes para descansar. 


 

...Porém, o momento que mais marcou a volta foi quando encontrei três lhamas subindo, com uma grande carga, num dos piores trechos, íngreme, estreito e cheio de pedras. Parei para dar passagem para elas e a última me deu um olhar sapeca de quem estivesse zombando do pouco esforço que fazia, ao contrário dessa reles mortal. Que pena a pilha está descarregada e com dificuldade, consegui fotografar quando elas já estavam longe.




...De volta ao hostel eu me deparo com a linda e última imagem do Fitz Roy sem nuvens. Da sala onde descanso da longa e última caminhada dessa viagem, sem carga na bateria, lamento não poder registrar esse momento...


Informações
Há várias trilhas de média a alta intensidade em El Chaltén.


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