O Despertar da América

Grandes movimentos migratórios ocorreram, cidades e civilizações se formaram em todas as partes da Terra ao longo de milênios. Algumas dessas migrações podem ter partido da Ásia e pelo Estreito de Bering chegado ao continente americano. Como também, podem ter cruzado o Pacífico. O fato é que apesar de sempre sermos remetidos ao passado dos incas quando nos referimos ao povo andino, não foram eles os primeiros habitantes dos territórios que atualmente se estende do Equador ao norte da Argentina e do Chile.


O homem por natureza sempre foi inquieto. Desde a sua origem se desloca de vale em vale, da planície para a montanha, de um lado a outro do planeta para fugir dos rigores do tempo ou em busca de alimentos, de terras férteis, de melhor pasto, de fartura, de riquezas, ou para impor sua superioridade sobre os outros ou por qualquer outro motivo que lhe inspirasse a vontade de partir, em pequenos grupos, grandes tribos ou até nações.

Pinturas rupestres e ornamentos de ossos são vestígios da presença de grupos primitivos nas Américas. Com sua vida nômade, vivendo por vales ou montanhas, da caça, da coleta e da pesca, já podem por aqui ter habitado desde 20.000 a. C. 

É provável que entre 4.000 e 2.000 a. C tenha se iniciado uma forma primitiva de cultivo de plantas (algodão, milho, batata) e a domesticação de animais (camelídeos, porquinho da índia e o cão). Do nomadismo da Idade da Pedra, aos poucos, foram se tornando sedentários, o que lhes permitiram se fixar em aldeias, especialmente nas regiões montanhosas e vales costeiros do Peru.

Possivelmente ao se encontrarem, grupos podem ter trocado bens e histórias e, até mesmo, se unido constituindo tribos. Aos poucos teriam começado a celebrar ocorrências como mudanças de estações, honrar poderes que poderiam ser os responsáveis pela presença dos animais e plantas comestíveis necessários ao seu sustento e daí, terem estabelecido lugares sagrados para essas celebrações.

À medida que aprenderam a produzir e a guardar alimentos, começam a organizar o trabalho de forma mais eficiente com divisão de tarefas. Houve aprimoramento da arte em cerâmica, da tecelagem e da metalurgia, permitindo o surgimento de culturas mais avançadas. Projetos conjuntos foram realizados. Construíram monumentos maiores e melhores para homenagear seus deuses.

Apesar de pouco promissora, a costa desértica do Pacífico e os Andes Peruanos foram palco para o desenvolvimento de várias civilizações. Técnicas avançadas de irrigação foram o apoio ao crescimento de comunidades agrícolas que transformaram o deserto em faixas verdes. Os campos esparsos do planalto forneceram o pasto para os camelídeos: as alpacas e vicunhas que forneciam a lã; as lhamas, usadas como animal de carga e fonte de alimento. Das montanhas vinha  o ouro, a prata e o cobre que eram usados em ornamentos e ferramentas.

A agricultura em desenvolvimento sustentava centros cerimoniais, para onde eram atraídas mais pessoas para fazerem devoções, trocas e travar relações sociais. Elegem-se xamãs ou pessoas santas que vão formar a elite sacerdotal.

Os centros cresceram e alguns vão formar as bases das primeiras civilizações americanas, entre elas, nos Andes, os Chavin de Huantar.
            
Ao norte do atual Peru, a civilização Chavin floresceu por muitos séculos e é provavel que tenha surgido por volta de 1.000 a.C. Centros cerimoniais, terras verdejantes alimentadas por extensos sistemas de irrigação e redes de comércio movimentaram essa vasta região. Porém, por causas desconhecidas até o momento, esse mundo se desintegrou após 400 a. C. No entanto sua cultura foi preservada, em boa parte pelos povos que lhes sucederam principalmente os Mochicas.     
           
Mas, foi no culto de Chavin a maior contribuição dessa cultura pré-colombiana. Religião anímica propagou-se, aparentemente, sem o uso da força. Baseava-se em culto às forças da natureza e na crença de um criador felino todo poderoso. Sagrados eram o jaguar e o puma. Mas, aves como o condor e a águia também eram cultuadas.
            
Com o declínio desse povo, surgiram várias culturas regionais tanto no litoral, quanto nos Andes. Por volta de 700 a. C.  a cultura dos Paracas desponta no litoral peruano, que se destacou pelo domínio da arte têxtil. A cultura Nazca pode ter sido contemporânea e no litoral, foram os responsáveis pelas gigantescas linhas, que vistas do alto, formam diversos desenhos.
            
Tecido Paracas
Linhas de Nazca
No primeiro milênio houve um intenso desenvolvimento em quase todos os campos de atividades. Surgem os Mochicas que se desenvolveram na costa norte do Peru, entre 100 e 700 d. C. Sistemas de irrigação, aquedutos e canais foram suas construções de relevância. Também se destacaram na metalurgia, faziam instrumentos usando ouro, prata e cobre. Foram pioneiros no uso de moldes para vasos de barro e nas reproduções fiéis aos traços humanos. Mas, sua fama se deve à vasta produção de esculturas com temas eróticos, provavelmente relacionados aos ritos de fertilidade.
           

A causa do desaparecimento desse povo pode estar ligada a grandes alterações climáticas, onde períodos de secas foram seguidos por enchentes que deterioraram a agricultura, principal atividade dos mochicas. Sem poder cultivar alimentos, passaram por sérias dificuldades e acabaram desaparecendo. Acredita-se que os mochicas foram a principal influência para a formação das sociedades posteriores.
          
Entre os séculos 7 e 12 a região do altiplano boliviano próxima ao lago Titicaca conheceu o Império Tiahuanaco. Com desenvolvimento econômico bem semelhante ao dos demais povos da região, sua arquitetura distinguiu-se pela técnica inovadora que utilizava grampos de cobre para unir blocos de pedra maciça na construção de plataformas.
             
A civilização Wari passou a dominar a ao sul da região entre 800 e 1200, período em que o militarismo e a urbanização se consolidaram no altiplano andino. As cidades ali fundadas contavam com praças, ruas, templos, além de canais subterrâneos para abastecimento de água. A região era menos um centro cerimonial que residencial e o grande número de edifícios públicos comprova certa laicização das instituições.
             
Como consequência das guerras entre os pequenos Estados vizinhos, os governos fortemente teocráticos se militarizaram e na hierarquia social o soldado já superava o sacerdote. O expansionismo Wari valorizou essas características, que mesmo em um império decadente, influenciaram a formação do Estado Inca.
            
Assim, durante todo o primeiro milênio, os Andes Centrais estiveram sobre a influência de dois impérios: o de Tiwanaku, no sul, e o de Wari, no norte.

Na costa sul se desenvolve a cultura chincha, com suas redes comerciais marítimas e terrestres. Ainda neste período, destaca-se o Império Chimu, localizado no litoral norte do Peru. Considerada a última grande civilização pré-incaica, conseguiu sobreviver até 1466, quando foi vencido pelos incas.

Na região da selva se destacam as culturas Cajamarca e Chachapoyas, que constituíram reinos guerreiros e dominaram amplos territórios.


Finalmente, no século 14,desde o vale de Cusco, os Incas dão início à expansão que culminará com o surgimento do maior império da América pré-colombiana.
       

Meu primeiro encontro com a cultura Pré-Colombiana


Após conhecer um pouco do passado recente do povo que desbravou a porção mais extrema da Amazônia brasileira, entrei de cabeça no mundo andino, onde a história está presente em toda parte, através de um cenário colorido e diverso, fruto da mistura da cultura espanhola e dos costumes e tradições das civilizações pré colombianas.
            
O ponto de partida para uma imersão na cultura pré-colombiana, foi a Rodovia Transoceânica. Uma estrada que corta uma floresta tropical e por onde se pode chegar à costa desértica do Pacífico, cruzando a exuberante Cordilheira dos Andes com os seus picos nevados. Mas, essa não foi a única estrada dessa aventura. Outras foram cruzadas para que me permitissem conhecer locais onde se desenvolveram algumas dessas culturas pré-incaicas.
             
Percorrendo a “Rota do Sol” como é chamado o trajeto que liga Cusco a Puno, cheguei às margens azuis do lago navegável mais alto do mundo, o Titicaca. Nessa trajetória, passei pela região de culturas antigas como a Pucara.
             
Das sagradas ilhas do Titicaca para La Paz, a capital mais alta do mundo. Foi a vez de conhecer um pouco do povo boliviano e o sítio arqueológico de Tiwanaco.


  Ruínas incas - Ilha do Sol/Titicaca

Tiwanaco

Depois de passar pelo maior deserto de sal existente na face da terra, o Salar de Uyuni, cheguei ao norte do Chile, em pleno deserto e como não poderia faltar superlativos, mais um, o deserto mais alto e seco do mundo! O Atacama, local da cultura atacamenha, também anterior aos incas.
           


Para finalizar, a costa do Pacífico, desértica e exuberante! Pela Rodovia Pan-Americana  conheci as riquezas resultantes da engenhosidade humana, como as Linhas de Nazca. Em seguida, ainda na costa,  cheguei ao local onde se desenvolveu   a cultura Paracas.


Nos diversos museus que visitei, o encontro foi com os vestígios deixados por outras culturas, entre elas os dos MochicasChimusLambayequeVicusWariPucaras, etc.






Mas o grande encontro foi com a riqueza do patrimônio deixado pelos incas em Cusco, Pisac, Ollantaytambo e Machu Picchu.



Pisac

Ollantaytambo

Comentários