De Cusco ao Lago Titicaca

Conta-se que Manco Capac e Mama Ocllo teriam caminhado por montanhas e quebradas desde o Lago Titicaca até chegarem em Cusco, o lugar onde dariam início ao Tahuantisuyo. Se lenda ou não, nunca saberemos. O fato é que foi o sentido inverso ao do lendário casal inca que escolhi para chegar ao Lago Titicaca. Monumentos arqueológicos e pueblos que permanecem como testemunho da grandiosidade de seus antepassados, além da beleza dos vales, nos brindaram com uma linda viagem.



A travessia de 400 km de uma estrada asfaltada foi feita a bordo de um ônibus de itinerário turístico e teve início no terminal da empresa Inka Express.

Um pouco antes das oito da manhã, deixávamos a Cusco arqueológica para trás. À medida que aproximávamos da periferia, nos deparávamos com a realidade dos pouco afortunados. Lá, como em qualquer outra cidade de médio e grande porte onde a desigualdade social se impõe, casas humildes se amontoam, nem de longe lembrando o esplendor das construções incas e coloniais que dão fama a Cusco.

Percorremos 45 km e fizemos a primeira parada. Estávamos em Andahuaylillas. Na Praça de Armas está a principal atração deste pueblo, a Igreja de São Pedro Apóstolo, conhecida como a Capela Sistina da América. Uma grande amostra da arte religiosa andina, foi construída no final do século 16, sobre uma estrutura incaica.


Apesar de se encontrar em restauração, após transpormos sua fachada nos deparamos com um teto em madeira decorado com motivos florais e geométricos. O altar é barroco, talhado em madeira de cedro e com adornos em ouro. Pinturas murais, uma delas datando de 1626, quadros e talhas em madeira, além do brilho das lâminas de ouro, compõem a mistura de estilo renascentista italiano com barroco espanhol da igreja.

No lado de fora há três grandes cruzes esculpidas que representam a santíssima trindade. Nos alicerces da igreja, estruturas incas.




O ponto de parada seguinte foi o pueblo de Raqchi, onde se encontra a estrutura inca mais alta que se conhece, o Templo de Wiracocha, constituído por imponentes colunas de adobe com base em pedras encaixadas, medindo 14 metros de altura.


No complexo arqueológico ainda se encontram aquedutos e recintos de cultura pré-incaica. Antes do monumento, há uma pequena praça ladeada por uma capela e várias lojas de artesanato.
Na hora do almoço estávamos em Sicuani, a 3.540 m de altitude. Antes de continuarmos a viagem, uma pequena pausa para apreciar e comprar o artesanato.
A meu lado esquerdo, durante todo o trajeto, a linha de trem que liga Cusco a Puno. 

Continuamos subindo, passamos por pueblos, vales e pastos até alcançarmos o ponto mais alto da viagem: La Raya, com 4.335 metros acima do nível do mar. É aí que nasce o rio Vilcanota/Urubamba, cujas águas correm entre montanhas e vales até, junto com outros afluentes, desembocarem no rio Amazonas.


Enquanto parávamos para fotos e apreciávamos o turístico artesanato peruano, ao longe uma pequena luz ia se aproximando, era o trem que chegava de Puno e após uma breve parada na pequena estação, seguiria para seu destino final em Cusco.





Pelo caminho a imagem da vida andina: o pasto e a religiosidade.

Trem que fazia o percurso igual ao nosso: Cusco - Puno

No meio da tarde chegamos à Pucara, pueblo conhecido por seu artesanato, especialmente os "touritos" pequenos touros de barro que são a expressão do sincretismo cultural entre a colorida cultura andina e a colonial espanhola. Assim, os locais colocam esses enfeites, aos pares, no telhado de suas casas para darem sorte.


No pequeno museu dessa cidade, tivemos um encontro com a arte representativa da cultura pré-inca Pucara que se desenvolveu ao norte do Lago Titicaca entre 500 a.C. e 400 d.C.


A viagem seguiu contornando vales e montanhas. Passamos pelo centro de Juliaca, onde nos aproximamos do trem com turistas que faz o mesmo percurso.  



Pouco tempo depois surge, à minha esquerda a imensidão azul do Titicaca. Fazia 10 horas que estávamos na estrada quando chegamos à Puno.


Puno





Informações práticas

Através do site da Inka Express fiz a reserva do passeio. O pagamento só foi realizado no hotel em Cusco. O representante da empresa, com quem mantive contato por e-mail, foi pessoalmente me entregar o bilhete, fornecer algumas informações e receber o pagamento. Tudo conforme tinha sido combinado previamente.

Quanto: U$ 50,00














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