Ceará e Piauí-Circuito Religioso e Parques Nacionais


A primeira fase do projeto Nordeste contemplou a região semiárida do Ceará, com sua religiosidade e cultura peculiar, além  do surpreendente clima serrano da Serra de Ibiapaba e do Parque Nacional de Ubajara.

No Piauí foi dada ênfase especial aos Parques Nacionais e Sítios Históricos, onde se encontram as obras que, se já não fossem pura arte, pelo menos são detentoras de grande força simbólica, pois já  eram representação de um mundo real.




Apesar de já vivermos em um país com uma tradição, valores e cultura nacional consolidadas, a História nos comprova que nem sempre foi assim. Sabe-se que antes dos colonizadores, já se fazia presente uma cultura nativa. E muito antes desta, 
em torno de 12 mil a 40 mil anos a.C., uma civilização pré-histórica habitava do lado de cá do Equador. Provavelmente fixada após as grandes migrações provenientes da Ásia que atravessaram o Estreito de Bering ou mesmo cruzaram o Pacífico ou até mesmo o Atlântico, diretamente da África.

Grupos nômades caçadores e pescadores deixaram o testemunho de sua presença no nosso território. Estes registros em diferentes suportes de pedra e conhecidos como a Arte Rupestre, têm o conjunto mais antigo localizado no Parque Nacional da Serra da Capivara em São Raimundo Nonato, no Piauí.

Os ciclos extrativistas que dominaram a economia da colônia americana portuguesa nos três primeiros séculos que se seguiram à chegada de Cabral foram responsáveis pelo direcionamento em que se deu a ocupação da região nordestina. À extração do pau-brasil seguiu-se o cultivo da cana-de-açúcar trazida pelos donatários das capitanias, depois o do cacau e do algodão que, além de substituírem a floresta atlântica ao longo da costa (Zona da Mata), permitiu a ocupação em direção a oeste. Fato este que se firmou com o desenvolvimento da pecuária e da agricultura de subsistência.

A criação de gado constitui-se numa atividade de relevância na economia desde a época colonial. No entanto, a sua criação foi impossibilitada de se desenvolver nas férteis terras da zona da mata. Daí ter sido mandado para regiões interioranas, onde se multiplicou e se dispersou em currais ao longo dos rios permanentes e invadindo os sertões do São Francisco e para além, no Piauí e no Maranhão.

Inicialmente, os próprios donatários eram detentores dessas áreas onde criavam o gado que consumiam. Posteriormente, a atividade ficou nas mãos de criadores/vaqueiros. As relações entre estes e os proprietários eram hierarquizadas, mas não brutais. Mão de obra barata e sem grande rigidez de trabalho, à medida que se deslocavam com o gado em busca de melhores pastagens, entravam em conflitos com os índios que se refugiaram no interior ou com eles se misturaram, formando a mestiçagem do sertão nordestino. Núcleos humanos foram se formando, caboclos, índios e mulatos, pois havia negros fugidos. Muitos desses pousos se transformaram em vilas e cidades.

Porém, essas sociedades sertanejas viviam em situação precária, propícia condição para o surgimento de manifestações religiosas fanáticas como também o banditismo, que para alguns era a expressão de revolta contra as injustiças do mundo.

O fanatismo religioso, baseado em crenças em que um “salvador” livraria o povo da pobreza esteve manifestado em líderes carismáticos que atraiam romarias por conta dos milagres que eram propagados. Alguns desses lugares deram origem a cidades, foi o caso de Juazeiro do Norte, principal pólo de romaria nordestina.


O Roteiro? Veja aqui
Por Onde Andei? aqui


Comentários