Brasília


O fato de ter sido criada para ser o centro político e administrativo do país não é o que a faz diferente e peculiar, e sim a história de sua origem a partir de um traçado simples com um formato de cruz, de onde surgiu uma cidade com uma bela arquitetura, onde as curvas e os ângulos do concreto se destacam do céu azulado. Não é a toa que é a única cidade moderna no mundo que recebeu o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco .

Em apenas 1000 dias daquele traçado surgiu o Plano Piloto, cujo projeto urbanístico coube a Lúcio Costa e o arquitetônico a Oscar Niemeyer, tendo como idealizador o então presidente Juscelino Kubitschek. Eram os anos de 1960 quando Brasília veio à luz para ser a nova capital brasileira.

Estive pela primeira vez em Brasília em 1981. Era noite quando cheguei à rodoviária. A cidade faria parte de uma viagem até Goiânia, onde iria participar do ENEM (Encontro Nacional dos estudantes de Medicina). Naquele horário nada vi a não ser a iluminação das quadras residências. Quadras sim, pois lá não existe o conceito de rua como estamos acostumados.


Apenas na manhã seguinte me deparei com as paisagens surpreendentes. A temperatura estava baixa, mas o céu de um azul infinito embelezando as amplas e vazias avenidas. Raramente passavam carros e um ou outro ônibus apanhava uns poucos nas paradas organizadas. Era minha primeira vez naquele cenário, onde conheci várias imagens de cartões-postais: a Catedral, a Esplanada dos Ministérios, O Congresso Nacional, o Palácio do Planalto, entre outros.

Em 1992 estive lá novamente e num período de grande importância política para os brasileiros, em pleno movimento popular nacional para que se desse o Impeachment do então presidente Collor.
Muitos anos se passaram, muita coisa mudou no Brasil, no mundo e certamente em Brasília. Diversas vezes tenho "passado" por ela, principalmente nos últimos três anos. Perdi a conta de quantas conexões fiz por lá, quando vou ou venho de Recife para Porto Velho ou Amazonas, a trabalho.
Mais uma conexão, mas dessa vez escolhi uma que me permitisse ter um tempo suficiente para voltar a ela e percorrer aqueles espaços que ocupam o formato que mais lembra um avião. Pois é o Plano Piloto tem essa forma!


  • Para entender a cidade



Brasília se desenvolve em torno de dois eixos perpendiculares, o Eixo Monumental e Eixo Rodoviário-Residencial, que originam um traçado em forma de um avião. 

Eixo Monumental que se estende de leste a oeste, pode ser considerado o corpo do avião e  o Eixo Rodoviário (Eixão), que se estende de norte a sul, formaria  a parte das asas do avião.

Na interseção desses eixos, a rodoviária, que ao ocupar a posição central se torna o marco zero da cidade. A partir dela os endereços ocupam os quatro pontos cardeais e em sentido crescente para o norte (N), sul(S) leste(L) e oeste(W).

Os nomes das vias são determinados por suas posições em relação a esses dois eixos: o Eixo Rodoviário é composto pelo Eixo Central, Eixo L (Leste), Eixo W(Oeste). A Leste estão L1, L2, L3 e L4. A Oeste estão a W1, W2, W3, W4 e W5.Ao Norte do Eixo Monumental, estão a N1, N2, N3 e N4 e ao Sul estão a S1, S2, S3 e S4.
A partir do Eixo Monumental, ao sul se tem a ASA SUL e ao norte se tem a ASA NORTE, onde cada uma é formada por  16 quadras que são numeradas em ordem crescente.
A partir do Eixo Rodoviário, para baixo, ou para leste estão as quadras que ocupam a casa das centenas pares entre 100 e 900 (200, 400, 600, e 800) em ordem crescente, isto é contando a partir do Eixão. Para cima do Eixão, ou oeste  a numeração ocupa as centenas ímpares (100, 300, 500, 700 e 900).

Dessa forma os endereços possuem letras e números em uma determinada lógica. Os endereços e avenidas vão ganhando siglas:
SQN (Super Quadra Norte)
L2 Norte(2ª avenida a leste da Asa Norte
W3 Sul (3ª avenida a oeste da Asa Sul)
Q. 716 Norte (Endereço localizado na última quadra da Asa Norte, acima do Eixão, lado oeste) 
Ao longo do Eixo Monumental, está a Zona Cívico-Administrativa, onde se encontram os edifícios e monumentos principais dos setores político, religioso, administrativo, hoteleiro e bancário. Do Eixo Rodoviário que se estende de norte a sul e  fica dividido nas conhecidas "asas", estão distribuídas as quadras comerciais e residenciais.


  • Uma manhã em Brasília
Não que a capital brasileira mereça apenas uma manhã para ser visitada, pelo contrário, Brasília merece muito mais do que isso. Mas era o tempo que dispunha em uma conexão de uma viagem de Porto Velho a Recife, em outubro de 2013.
Cheguei muito cedo em Brasília, eram 5:15 h do horário brasileiro de verão. A primeira coisa a fazer foi tomar um reforçado café da manhã, o que fiz no Viena Snacks na área externa, logo após o setor de desembarque do Aeroporto JK, no piso inferior.
A segunda foi providenciar um guarda-volumes para deixar o que estava na minha bolsa, mas que não iria precisar no meu passeio à cidade. O aluguel do armário pequeno por 24h custou R$ 12,00. A ficha foi adquirida na lanchonete Grão Café.
A última providência foi escolher de que forma sairia do aeroporto. Entre várias, a opção ficou pelo ônibus executivo. Ao custo de R$ 8,00 em cerca de 30 minutos percorri os 20 km de distância entre o aeroporto e o setor hoteleiro norte, no ponto onde seria apanhada para  começar o city tour. Esse percurso foi um pequeno passeio com direito a percorrer a Esplanada dos Ministérios. Há outras opções de ônibus, além de taxi e transfer privado.


Faz uns dois anos que vejo as obras de reforma e ampliação desse aeroporto. Algumas áreas já foram contempladas, como alguns banheiros que estão no piso inferior.
No entanto a impressão é de que muito ainda há por fazer. Um exemplo é o local de embarque do ônibus executivo, onde não existe uma sinalização e se encontra bem ao lado da passagem, em reforma, que dá acesso ao estacionamento.

Às 7:30 h da manhã, com o termômetro marcando 20º C., já estava em frente ao hotel Sarah para o encontro com o guia do city tour, que me apanhou um pouco antes das 9:00h.
 

Na companhia de um casal de Florianópolis começamos a visita às principais atrações de Brasília.

Nossa primeira parada foi em frente no Museu da República.

Em seguida foi a vez da Catedral 

Projetada por Oscar Niemeyer, tem na sua estrutura 16 pilares curvos que nos remetem a mãos postas em oração.


À entrada estão as esculturas dos Quatro Evangelistas: João. Lucas, Marcos e Mateus.Obra de  Alfredo Ceschiatti.

Ao lado a Torre do Campanário e seus quatro sinos de tamanhos diferentes doados pelo governo espanhol.

No interior, a beleza dos vitrais da artista Marianne Peretti, cujos tons em azul e verde dão um suave colorido que, aliado ao branco do piso em mármore, deixam o ambiente claro e leve, o que é reforçado pelas imagens de anjos que estão suspensos no teto.


Para completar o acervo artístico, uma réplica da Pietá de Michelangelo e uma Via sacra de Di Cavalcanti, além da cruz de madeira que esteve na primeira missa de Brasília.


  

A terceira parada foi na Praça dos Três Poderes.

A Praça, no Eixo Monumental, é onde se encontra a sede do Legislativo (Congresso Nacional), do Executivo (Palácio do Planalto) e do judiciário(Supremo Tribunal Federal)
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O Congresso Nacional 
 

Palácio do Planalto

Uma homenagem ao idealizador da cidade: Juscelino Kubitschek.
                                       

Dali seguimos em direção à moradia oficial da Presidência da República: o Palácio da Alvorada.

Uma passada pelo Pontão do Lago Sul

Para finalizarmos no Museu em homenagem ao idealizador da capital brasileira.

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