Belém


É a segunda mais populosa cidade da região Norte e porta de entrada para a Floresta Amazônica. Banhada pelo Rio Guamá e pela baía do Rio Guajará, também está próxima à foz do maior rio do mundo, o Amazonas. Foi palco de disputa entre holandeses e ingleses e só passou ao domínio português no século 17, pois foi fundada enquanto Portugal estava sob domínio espanhol. Teve origem no local escolhido para se estabelecer a defesa da Amazônia, o Forte do Castelo do Senhor Santo Cristo do Presépio de Belém(1616).

O Forte foi edificado por Francisco Caldeira Castelo Branco, com ajuda de índios tupinambás. No entorno surgiu um povoado com o nome de Feliz Lusitânia.

O projeto de dominação da região também tinha objetivo econômico: a exploração das "drogas do sertão" especiarias com grande valor comercial na Europa.


Longe dos núcleos de decisão, a Província do Grão Pará, fortemente ligada a Portugal, reconheceu a Independência do Brasil apenas em 1823.


Vivendo em um cenário de pobreza extrema,a cidade foi palco de uma violento movimento popular (índios, negros e mestiços) conhecido como a Cabanagem, que durou cerca de 5 anos(1835-1840), onde a população efetivamente derrubou o governo local durante o Período Regencial. No entanto, ao ser retomado o poder, a região sofreu pesadas punções por parte do governo central.


A situação só foi superada no período do Ciclo da Borracha, com a descoberta dos processos de vulcanização da borracha que tinha como matéria prima o látex produzido nos seringais da região. Belém se torna o centro mundial do produto.


Há um enriquecimento rápido da região e a base da atividade econômica passa a ser o extrativismo monocultor do látex. A grande prosperidade fez com que se conhecesse esse período como a Belle Époque Amazônica. Estabelecimentos financeiros, grandes lojas e magazines foram abertos. A capital paraense era a "petite Paris". Nesse período o centro da cidade passou a ser intensamente arborizado por mangueiras trazidas da Índia. 


Foram dois ciclos da Borracha, o último na época da Segunda Guerra Mundial. Com o declínio definitivo dessa atividade econômica, houve um longo período de estagnação, do qual o estado do Pará só saiu após a década de 1960 e 1970, com o desenvolvimento da agricultura e a exploração de minérios(como o ferro na Serra de Carajás).


Hoje Belém é uma metrópole efervescente, agitada, com uma rica e exótica gastronomia, que tem nas ervas e frutos da Floresta Amazônica a fonte da mais autêntica cozinha do país.




O que há para ver em Belém?

Núcleo Cultural Feliz Lusitânia 

É o Centro Histórico, um conjunto de edificações do século 17 e início do 18, restaurado em 2002. Foi o local onde nasceu a cidade, chamada de Santa Maria de Belém do Grão Pará, após ter sido conhecida como Feliz Luzitânia.
  • Igreja de Santo Alexandre (antiga Igreja de São Francisco Xavier): em estilo barroco, foi construída com auxílio de mão de obra indígena entre 1698 - 1719. 

  • Museu de Arte Sacra (antigo Colégio Jesuítico de Santo Alexandre): expõe cerca de 320 peças sacras, entre objetos litúrgicos e imagens do séculos 18 e 19, pratarias e quadros.
          Onde: Praça Frei Caetano Brandão (Cidade Velha)
          Quando: 3ª a dom. das 10 às 16h.
  • Forte do Presépio: Marco zero da cidade. No pátio interno estão os canhões originais. Em 2001 foi criado o museu que guarda artefatos de pedra e amostras de cerâmica marajoara e tapajônica. 


  • Casa das 11 Janelas: Construído no século 18, o palacete em estilo neoclássico possui na sua fachada frontal 11 janelas. No início foi a casa de um senhor de engenho, depois passou a ser utilizado como Hospital Militar. Atualmente é um centro cultural e onde está um badalado bar "Boteco das Onze", charmoso, mas bem carinho. Paguei por um sanduíche e refrigerante  R$ 60,00 (2010).

  • Catedral da Sé: Em estilo barroco, tem sua nave central iluminada por 18 candelabros de cobre e os 10 altares laterais adornados com belas telas.


Basílica de Nazaré

Construída em 1909, guarda a imagem da padroeira do Pará. As paredes internas são revestidas com mosaicos e nas laterais há mosaicos que narram as passagens da vida de Cristo.



A cidade tem na festa do Círio de Nazaré a maior manifestação de fé do povo paraense há cerca de 200 anos. Uma romaria religiosa em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré celebrada no segundo domingo de outubro. 

A procissão sai da Catedral Metropolitana até a praça Santuário em frente à basílica Nazaré. O trajeto tem menos de 4 km e a multidão percorre carregando ex-votos, alguns ajoelhados, muitos descalços, ou com miniaturas de casas ou carros de miriti (madeira leve de uma árvore amazônica). No entanto esse dia é apenas uma parte da comemoração, cuja programação dura 15 dias e tem outras romarias, incluindo uma fluvial.


Veja o que foi escrito sobre o Círio por Ricardo Freire, no Viaje na Viagem (aqui).


 Theatro da Paz

É o símbolo  dos tempos áureos do Ciclo da Borracha. Em estilo neoclássico, tem a escadaria em pedra francesa e lustres de cristal, no hall. O exterior foi inspirado no Teatro Alla Scala, de Milão. Madeira nobre nas portas e pisos, bustos em mármore de Carrara, um esplendor da belle époque.
  

Está localizado na bonita praça da República em meio a árvores centenárias. Infelizmente, quando lá estive o Teatro estava fechado para reformas.


Belém possui bonitas praças, apesar de algumas não estarem conservadas como deveriam. Conhecida com "a cidade das mangueiras" tem várias ruas por elas ladeadas, o que ameniza um pouco o calor.


Construções históricas

Além do casario colonial do século 17 localizado na rua Pe. Champagnat, ao lado da Igreja de Santo Alexandre, no período áureo do Ciclo da Borracha, Belém foi moradia de várias famílias europeias que influenciaram na arquitetura local. Daí se encontrar tantas casas em estilo europeu, grande parte mal conservadas. 
Hoje, apesar da modernidade, o que me impressionou enquanto perambulei pelas ruas da cidade, foi encontrar casarões e igrejas antigas. Lado a lado vi o novo e o velho, o preservado e o abandonado.



Mercado Ver o Peso

Com seus 35000 m² é o maior mercado público a céu aberto do Brasil. É um complexo arquitetônico que inclui praças, mercados fechados (de Carne e de Ferro), um prédio histórico e o porto às margens do rio Guajará. Apesar do aspecto de grande feira, as grandes famílias de produtos estão dispostos em espaço próprio (peixes, verduras, frutas e comidas prontas). Estima-se que circulam cerca de 50 mil pessoas diariamente no complexo. É lá que você encontra as frutas exóticas da região.  Seu nome deriva de "Casa do Haver-o-Peso", posto de controle alfandegário criado pelos portugueses em 1688. 



É um local interessante para se vivenciar aspectos do dia a dia da cidade. Porém, há relatos de furtos e chama a atenção a quantidade de urubus em torno. Mas acorde cedo para  ir lá  e ver o movimento e a mistura de cores, cheiros e sabores.




Surgiu após a revitalização, em 2000, dos galpões de ferro do antigo cais do porto. Os espaços internos são envidraçados e refrigerados, onde estão: Boulevard das Artes, da Gastronomia (restaurante, bares, sorveterias) e o das Feiras e Exposições. Além de um centro de convenções e um cine-teatro. 

Em um dos galpões há uma cervejaria artesanal (Amazon Beer), onde se pode ver, através de uma parede de vidro transparente, a fabricação do chope nos grandes tanques de cobre e aço inoxidável. Há uma amplo calçadão na área externa com guindastes portuários antigos como ornamentos e um terminal de passageiros de onde partem os passeios fluviais.


Pela baia do Guajará

Aproveite para embarcar no animado barco que parte do terminal de passageiros nas Docas e fazer um passeio pela baía do Guajará até o seu encontro com o rio Guamá, tendo uma bela visão do Mercado Ver o Peso, do Forte e do Mangal das Garças ao som de músicas típicas e show folclórico.



 
Danças folclóricas

Devido ao clima, em Belém chove quase todos os dias. Porém, nos 4 dias em que lá estive, a chuva deu o ar de sua graça todos os dias. Não foi numa hora marcada, como se disse que acontecia em outros tempos, mas todas as vezes que choveu foi a partir das 15 horas. E foi dessa forma que finalizamos o nosso passeio de barco pela baia do Guajará.



Desde 2005, numa área de 40 mil m², às margens da foz do rio Guamá, preserva a vegetação local e reproduz diferentes macrorregiões da flora paraense: as matas de terra firme, as de várzea e os campos. 



Há lagos artificiais que abrigam garças, guarás e outras aves, além de quelônios. Viveiros, orquidário e borboletário.  



No seu interior, uma torre metálica de 47 metros com 2 níveis permite a observação do entorno, o Farol de Belém.


Memorial Amazônico de Navegação é uma amostra da história da navegação por meio de pequenas réplicas de embarcações e instrumentos utilizados no transporte aquático. Se der fome, aproveite as iguarias do restaurante Manjar das Garças.




Fundado em 1871, foi transformado em referência internacional na produção de conhecimento sobre a Amazônia pelo zoólogo suíço que assumiu sua direção em fins do século 19. 


Faz parte do Museu o Parque Zoobotânico, com 52 000m² de área, abrigando 3 mil espécies de plantas tropicais e  diversos exemplares da fauna da região é um aprazível recanto de lazer, mas também campus de pesquisa em pleno centro de Belém. O Museu abriga objetos e restos de cerâmica da pré-história amazônica.




Dicas

 Experimente quando estiver em Belém
  • Sorvetes das frutas típicas da região na Sorveteria Cairu (açaí, taperebá, cupuaçu, bacuri, murici, uxi, etc.)
  • Tacacá do Colégio Nazaré: caldo servido em uma cuia, feito com camarão seco, tucupi (soro da  mandioca), jambu e goma de tapioca.
  • Maniçoba; espécie de feijoada nativa, com pedaços de porco e maniva, a folha da mandioca. O sabor é muito bom, aprovei e repeti!
  • Pato no tucupi, é outra iguaria tradicional.


Como chegar

Avião

As principais companhias aéreas têm voos diários partindo de várias capitais brasileiras. O Aeroporto Internacional de Belém-Val-de-Cans está a 12 km  do centro da cidade.


A melhor opção para sair do aeroporto é utilizando o serviço de taxi credenciado, que pode ser o da Cooperativa, que tem o preço pre fixado, cujo valor dependerá do local de destino, ou o da associação de taxi comum, que utiliza taxímetro. Aqui como em qualquer outro aeroporto, não é aconselhado utilizar serviços de transporte não regularmentados. Uma outra opção é contratar um transfer, foi o que fiz ao ter a oferta do hotel em que fiquei hospedada.


Há várias linhas de ônibus que passam pelo aeroporto. Informe-se qual a melhor opção para o seu destino. 


Barco

Como nas outras cidade da região Norte, os rios podem ser a estrada e viajar de barco é uma opção ou a única para muitos. Há barcos para municípios do estado paraense  como Santarém (60 horas de viagem) e Ilha de Marajó (3h ). De Macapá (24 a 30h) e do Amazonas como Manaus (5 dias de viagem) há linhas frequentes de barco e/ou navio. Porém não é uma viagem para quem não gosta de aventura e não dispensa conforto. E, muitas vezes, a passagem pode sair bem mais cara do que se for feita de avião (Belém-Manaus)


Algumas empresas: Amazon Star, Santarém, Nélio Correia, 11 de Maio e Cisne Branco.


Ônibus


No Terminal Rodoviário de Belém chegam ônibus das várias regiões do país. 

As empresas Guanabara e Boa Esperança (Nordeste), Itapemirim (NE, Sudeste, Sul e Centro-Oeste), Transbrasiliana (NE, Sudeste, Norte e Centro-Oeste), Continental (Maranhão), Expresso Açailandia (Maranhão e Norte) podem ser utilizadas para se chegar em Belém.


Existem duas rodovias principais que dão acesso à Belém: BR-316, começa em Belém e termina em Maceió, passa por Maranhão e todo o sertão nordestino. BR-010 (Belém-Brasília) liga o centro do país à região Norte.
 

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