Caravaggio em São Paulo




O Museu de Arte de São Paulo – MASP recebeu, em 2012, 6 telas em óleo do pintor italiano Caravaggio.  A amostra reuniu importantes obras do pintor e também 14 pinturas de seguidores do mestre italiano. As obras do artista são famosas pelo seu jogo de luz e sombra que intensificam a dramaticidade das cenas, como também a perfeição retratada nas rugas, fios de cabelos, vasos sanguíneos, olhares e expressões faciais . O pintor utilizava como tema cenas e personagens cotidianos de sua época, o século 17, e incluía elementos religiosos e místicos misturados a aspectos mundanos.

Em sua vida pessoal, o artista, cujo nome verdadeiro era Michelangelo Merisi, era tido como uma pessoa explosiva que se envolveu em diversas brigas e processos e chegou a ter a cabeça posta a prêmio em Roma. Morto aos 38 anos, o pintor tem apenas 62 telas ainda conservadas ao redor do mundo. Além dessa limitação quanto ao número, há discussões sobre autoria de obras do seu acervo.

Numa sala da exposição havia uma discussão sobre esse tema, um verdadeiro debate sobre o porquê de um São Francisco de Assis em Meditação ser de autoria de Caravaggio e outros títulos não





           
Na amostra havia duas obras, uma atribuída a ele e a outra, uma cópia, que apesar de muitos estudos, ainda persistem controvérsias quanto a sua autoria e de algumas outras telas. As dúvidas surgiram depois de avaliações detalhadas comprovarem o uso de técnicas incomuns nas obras de Caravaggio. Para aumentar a polêmica, Caravaggio não assinou a maioria de sua obras.


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A "Medusa Murtola" (1597) foi reconhecida há pouco tempo, já que era considerada a segunda versão de uma pintura feita pelo artista. Foram 20 anos de estudos e análises para adquirir o status de primeira versão.


Essa tela foi pintada sobre um escudo de madeira num formato convexo. Diz a mitologia que o escudo refletia o olhar do mostro que transformava em pedra quem o encarasse. O instrumento serviu na defesa de Perseu, o herói da mitologia, no momento em que decapitava Medusa.

A insistência de Caravaggio em pintar sobre o escudo se deveu a essa lenda. Mas, por ser um objeto convexo, a dificuldade em executar a pintura foi grandeCom o emprego de técnicas modernas (raio-X, infravermelho, entre outras), descobriu-se que o italiano, na verdade, desenhou na peça antes de pintá-la, por conta dessa dificuldade. A outra obra da Medusa, por não ter sido desenhada previamente, foi considerada como a segunda versão.
Murtola, palavra acrescida ao título da obra, faz referência a um poeta contemporâneo de Caravaggio que tinha esse nome. Murtola havia escrito a carta mais antiga que documenta a existência dessa Medusa feita por Caravaggio. 
A mostra foi aberta para convidados no último dia em que estive em São Paulo naquela semana. Para o público, só seria a partir do segundo dia, quando não mais me encontraria na capital paulista. Mas, não faltou oportunidade para conferir Caravaggio e Seus Seguidores, pois retornaria  a São Paulo para assistir ao show de Andre Rieu na semana seguinte e aproveitei para ver de pertinho "Retrato do Cardeal", "Medusa Murtola" e  São Francisco de Assis em Meditação, entre outros quadros dos seus seguidores. E assim fechei com chave de ouro a visita cultural de final de semana à São Paulo.

Dois anos depois, tive novamente o prazer de encontrar a Medusa Murtola, dessa vez no lugar onde ela permanece, quando não está sendo exposta pelo mundo, a Galeria Uffizi.



OBS: Local proibido para fotos, daí a pressa e qualidade ruim.

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