Lembranças de Momentos Distantes


No relógio do notebook já se passavam cinco minutos das 20 horas do terceiro sábado por aqui. Mas, nas terras amazônicas estávamos 2 horas antes, portanto ainda era o início de uma noite de temperatura amena, chovera bastante pela manhã. Não foi o horário de verão que me fez lembrar longínquos momentos da minha infância, nem tampouco o que estava fazendo naquele momento e sim, o canto que uma cigarra começou a entoar do lado de fora da janela do quarto do hotel.





...Desconheço explicação científica conclusiva ou o mecanismo mental e/ou psicológico que nos evoca lembranças de momentos passados quando somos, novamente, submetidos a algumas sensações principalmente auditivas, gustativas ou olfativas. 

...E foi o que ocorreu ao escutar o canto melancólico daquela cigarra. Fechei os olhos e guiada por aquela melodia, percorri na escuridão os caminhos tortuosos dos meus pensamentos até chegar a um período da minha infância, quando, de férias, viajava para Garanhuns para passar uns dias na casa de minha avó materna, Dona Clotilde.

Sol e chuva em final de tarde - Humaitá

...Os finais de tardes foram os momentos que ficaram gravados na minha lembrança. Era quando findavam as brincadeiras do dia e chegava a hora do banho. A casa conjugada, de construção antiga, tinha o banheiro junto à cozinha, já na saída para o quintal, que arborizado, como os da vizinhança, era o espaço ideal para o pouso vespertino das cigarras.

...Assim, ouvindo o canto da cigarra, recordei-me daqueles dias na casa de vovó Clotilde; o cheiro da fumaça de folhas de eucalipto que sempre eram queimadas pela redondeza e invadia os quintais; do frio depois do banho tomado e da sopa de frango quentinha que vinha logo após; da invariável presença de alguma visita para o jantar, do desenho animado que passava naquele horário, geralmente Fred Flistones e sua turma! Lembrei-me da hora das novelas, ainda em preto e branco e de alguns telespectadores da vizinhança que vinham para assisti-las, pois na década de setenta, nem todo mundo podia comprar uma televisão. Havia o horário das notícias, provavelmente o “Jornal Nacional”, porém, eram tempos de censura, mas isso eu só vim saber muitos anos depois.

...Momentos devidamente lembrados e retorno ao tempo atual. Hoje finda a segunda semana de trabalho nos postos de saúde da cidade, aliás, por conta do feriadão do dia de finados, trabalhamos apenas três dias. Tinha me programado fazer a mudança para o “AP” este final de semana, porém resolvi que seria melhor ainda permanecer no hotel. Afinal não comprei cama e nem mesmo tenho um colchão.Como estou gripada, não vou trocar a grande cama fofinha que tenho aqui pelo chão durinho de lá!





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